IBGE: safra recorde em 2008

09/01/2008

IBGE: safra recorde em 2008

 


Se o clima ajudar, a safra de grãos crescerá 2,1% e chegará a 135,7 milhões de toneladas em 2008. Será mais um recorde, caso as previsões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se confirmem. Em 2007, a produção atingiu 133 milhões de toneladas, 13,7% mais do que em 2006. Desde 2003, quando foram produzidas 123,6 milhões de toneladas, a agricultura não registrava um ano tão bom. Neste ano, a área plantada crescerá 2,7%, estima do IBGE. As culturas vão ocupar 49 milhões de hectares.

Trata-se de um movimento diferente de anos anteriores, quando a safra crescia apenas na esteira do aumento da produtividade, sem uma expansão significativa das terras para o cultivo.

O coordenador de agropecuária do IBGE, Flávio Bolliger, disse que “essa é uma safra plantada LUIZ TITO | AG. A TARDE | 28.5.2007 Município de Luís Eduardo é um dos produtores de soja na Bahia com qualidade”, já que os produtores estão capitalizados e investindo mais em adubos e tecnologia.

Além disso, a maior parte dos produtos da safra 2008 mostra aumento de produção e preços remuneradores, observou o gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do instituto, Neuton Rocha.

Apesar disso, a safra de soja, o principal produto brasileiro, com 42,8% da safra total, deverá ficar estável em relação a 2007, com 58,2 milhões de toneladas.

Bolliger explicou que a estimativa para a produção de soja ocorre sobre uma base muito elevada; a safra passada “foi favorável”.

Além disso, ele disse que o milho se mostra mais atrativo do que em anos anteriores, o que está levando alguns produtores de soja a migrarem para essa cultura, cuja demanda está aquecida no mercado internacional. A produção do milho na primeira safra (de verão) foi estimada pelo IBGE em 38 milhões de toneladas, com aumento de 4,7% ante a safra anterior.

Segundo Neuton Rocha, um dos fatores que contribuem para o quadro favorável para essa cultura é a boa cotação do produto por causa da menor oferta nos Estados Unidos, onde parte da safra de milho está sendo destinada para produção de etanol.

Por outro lado, o feijão, produto importante no consumo dos brasileiros e de forte peso na inflação, terá a primeira safra reduzida em 2,0% (para 1,7 milhão de toneladas), ante a safra anterior, por causa da estiagem prolongada em algumas regiões, que prejudicou a produtividade dessa cultura. Segundo Bolliger, com a queda na oferta, os preços dispararam, mas “pode ser que o plantio da segunda safra deste ano seja maior e atenue essas condições de mercado”.