Safra deve ter área menor e produção recorde

08/02/2006

Safra deve ter área menor e produção recorde

FERNANDO ITOKAZU

 

A safra 2005/6 apresenta uma área plantada menor que as duas últimas, mas deve registrar a colheita recorde de 124,4 milhões de toneladas de grãos, segundo estimativa do terceiro levantamento feito pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Se confirmada, a produção será 10,5 milhões de toneladas maior do que a anterior, fortemente afetada pela estiagem. O recorde viria mesmo com a redução da área cultivada. Na safra 2005/6 serão 46,8 milhões de hectares contra 48,9 milhões de 2004/5 e 47,9 milhões em 2003/4. A maior produção da história foi em 2002/3, com 123,2 milhões de toneladas em 43,9 milhões de hectares.
O governo explica esse desempenho com a recuperação da produtividade do milho e da soja, bastante prejudicadas pela seca de 2004. A soja vai reduzir sua área plantada de 23,3 milhões de hectares para 22,15 milhões (queda de 5%). É a primeira redução na área plantada com soja, principal produto da balança comercial agropecuária, em oito anos.
Os fatores que desestimularam os produtores foram as baixas cotações nos mercados interno e externo, rentabilidade menor em relação a outras culturas, especialmente milho e cana-de-açúcar, e a descapitalização do produtor.
Mesmo assim é esperado um incremento de 6,7 milhões de toneladas ou 13,1%, com a produção passando de 51,4 milhões de toneladas para 58,1 milhões.
O aumento da produção, mesmo com a diminuição da área plantada, é explicado pela recuperação no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, que registrou perdas significativas com a estiagem do ano passado.
O milho, que junto com a soja representa 73,2% da produção total de grãos do país, vai ter um aumento na área cultivada e um crescimento ainda maior, em termos percentuais, do que a soja.
A área plantada da primeira safra do milho teve um acréscimo de 5,9%: de 9,0 milhões de hectares para 9,5 milhões. O produto foi favorecido principalmente pelos baixos preços da soja, com a qual faz rotação de cultura. Com isso, a produção de milho deve crescer 20,5%, de 27,3 milhões de toneladas para 32,9 milhões.
O presidente da Conab, Jacinto Ferreira, afirmou que as estimativas chegam a ser conservadoras, já que as perspectivas são de situação climática normal. "Se não houver uma catástrofe climática, a produção vai ser mesmo recorde. E a tendência é até aumentar."
Ferreira disse, porém, que o governo vai ter que intervir para que os preços consigam remunerar o produtor adequadamente. Segundo ele, o Ministério da Agricultura negocia com a área econômica do governo para que a intervenção seja no momento certo.
"Espero que a lição do ano passado tenha servido", disse Ferreira, informando que os recursos só foram liberados a partir de setembro, quando vários produtores já haviam negociado sua produção. Ele disse que a liberação precisa acontecer até junho.
Projeto enviado ao Congresso prevê para a Conab um orçamento de R$ 2,180 bilhões para compras de produtos e R$ 650 milhões para escoamento. Ferreira pleiteia mais R$ 1 bilhão para o escoamento da produção. O governo possui estoque de 4,1 milhões de toneladas de grãos, principalmente trigo, milho, arroz e algodão.