Ano inicia com inflação puxada por alimentos

10/01/2008

Ano inicia com inflação puxada por alimentos

 

Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) fechou a primeira semana do ano em alta de 1,74% na capital baiana, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A inflação registrada em Salvador foi a maior no conjunto das sete capitais brasileiras pesquisadas pela entidade. Dentre as despesas que mais pesaram no bolso do soteropolitano, destacam-se os agregados alimentação e educação, com altas de 4,92%, e 1,88%, respectivamente.

A pressão dos alimentos sobre a inflação não é fenômeno verificado apenas em Salvador, mas tendência apurada no universo de pesquisa do Ibre, e mesmo no contexto mundial. Além de fatores climáticos, que afetam a produção de uma extensa gama de vegetais, a conjuntura externa também colaborou para a alta nos preços de produtos derivados de trigo, milho, soja e açúcar.

Estes itens são commodities, ou seja, têm a sua cotação atrelada ao mercado internacional.

O economista do Ibre, André Braz, explica que, por conta do crescimento da economia mundial, que trouxe para o mercado de consumo milhões de pessoas anteriormente excluídas, há uma pressão sobre os preços. A maior demanda do mercado impacta nos produtos derivados das commodities.

Apesar da divulgação semanal, o IPC-S representa o comportamento dos preços no acumulado das últimas quatro semanas.

Em Salvador, dentre os cinco produtos que mais contribuíram para a majoração do índice, quatro são alimentos: feijão carioquinha (54,35%); carne bovina de peito (13,41%); carne de alcatra (12,35%) e chã-de-dentro (9,75%). Saindo do quesito alimentos, o quinto fator foi a gasolina, com alta de 1,88%, na últimas quadrissemana.

Braz observa que, apesar da subida de preços dos gêneros alimentícios no período, a tendência é de desaceleração. “O que provavelmente vai acontecer é uma redução gradual no ritmo de alta dos preços”, avalia. Ele ainda acrescenta que, nos próximos meses, será o período da safra de cana-de-açúcar. A expectativa é que a maior oferta do insumo reduza os preços do açúcar refinado, e do álcool combustível, e mesmo da gasolina, tendo em vista a proporção de 25% de álcool anidro adicionado ao derivado de petróleo.

Além de Salvador, as capitais pesquisadas pelo Ibre que tiveram alta no IPC-S foram Belo Horizonte (0,66%), Brasília (0,9%), Porto Alegre (0,3%), Rio de Janeiro (0,79%), e São Paulo (0,85%). Só Recife registrou queda no índice, uma redução de 0,98% em relação a semana anterior.