Movimento em defesa do jatobá

14/01/2008

Movimento em defesa do jatobá

 

Andando pelas regiões de cerrado, no oeste do Estado, do semiaacute;rido ou por áreas de mata atlântica, a pessoa se depara com uma árvore alta, vistosa e de grande utilidade, que se destaca das demais, ora pela altura, ora pela copa, ora pela sombra e alimento que proporciona aos rebanhos. É o jatobá, muito conhecido na Bahia, mas pouco valorizado.
Tão pouco que as diversas variedades nem são percebidas pelos que o vêem por todo o País.
Em um estudo recente, a pesquisadora Milene da Silva Castellen, da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, mostra que ao todo são seis variedades, encontradas desde a costa ocidental do México até a Bolívia e centro-sul do Brasil, passando pelo Caribe. O jatobá ou jataí, nome popular da variedde H.
courbaril L, a mais comum no Brasil, é uma árvore de grande porte, com até 40 metros de altura.
A pesquisadora cita que a espécie possui uma ampla plasticidade fenotípica caracterizada pelas variedades H. courbaril var. altissima; H. courbaril var. longifolia; H. courbaril var. stilbocarpa; H. courbaril var. subsessilis; H. courbaril var. villosa; H. courbaril var. courbaril.
A variedade courbaril, mais conhecida em todo o Brasil, apresenta ampla distribuição geográfica natural, ocupando a maioria dos ambientes tropicais, desde a floresta tropical úmida até a caatinga, e com maior freqüência em regiões secas, a exemplo do sudoeste da Bahia.
A variedade stilbocarpa apresenta distribuição mais restrita e altura reduzida, entre 12 e 20 metros, quando comparada à courbaril, predominando na floresta estacional e no cerrado, encontrada em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás.
Em seu trabalho, Milene da Silva Castellen ressalta que as vagens e sementes da H. courbaril constituem importante recurso alimentar para mamíferos de maneira geral, com destaque para antas, veados, macacos-prego, queixadas e cavalos. As cotias e pacas são eficientes na dispersão das sementes, pelo costume de enterrar vagens e sementes no solo.
O jatobá possui um amplo histórico de uso, principalmente pelos indígenas. Sua resina, conhecida como jutaicica, pelos índios, ou copal da América, é utilizada no tratamento de problemas cardiopulmonares e, também, como incenso em rituais. Sua polpa é comestível, farinácea, adocicada e de sabor e cheiro muito característicos. É consumida na forma de geléia, licor e farinha, utilizada na elaboração de bolos, pães e mingaus.
Diz a pesquisadora da Embrapa que a exploração econômica do jatobá, com o aproveitamento de seus frutos na feitura de produtos alimentares com valor agregado, pode representar uma alternativa de importância ecológica, econômica e social. Ela cita que, segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a espécie H. courbaril enquadrase em duas categorias de recursos genéticos florestais importantes para conservação: espécies arbóreas de interesse econômico e de importância para sustentabilidade do ecossistema.
A pesquisadora defende a realização de um estudo do atual estado de conservação em populações isoladas da espécie, buscando verificar sua sustentabilidade em termos genéticos e delinear estratégias que minimizem os possíveis impactos negativos que estejam sendo causados pela fragmentação florestal e exploração indevida.A seiva do jatobá é vendida em lojas de produtos naturais e também em barracas de raizeiros, nas regiões interioranas, mas o consumidor deve observar a procedência e se há permissão do Ibama, que é o responsável pela licença de extração e comercialização de frutos da flora nativa.