Tempo de vida: até 150 anos
Na Bahia, ressalta a pesquisadora Milene da Silva Castellen, da Embrapa, a espécie Hymenaea courbaril existe em quase todo o Estado, e, em que pese o processo de desmatamento, não há registro de que a árvore esteja em fase de extinção. Embora ressaltando que desconhece a existência de estudos que determinem a situação do jatobá na Bahia, cita que há “indivíduos de jatobá de mais de 30 metros de altura, de elevado diâmetro do tronco, o que é indicativo de árvore muito antiga”.
Um pé de jatobá pode viver até 150 anos, mas, diz a pesquisadora: “Tudo vai depender do estado de conservação da mata, pois se houver incidência de queimadas e se a área sofreu exploração madeireira seletiva, o tempo de vida dessas árvores é reduzido”.
O trabalho que desenvolveu pela Embrapa, diz a pesquisadora, tem por objetivo mostrar a utilidade alimentar e medicinal do jatobá, que, em algumas regiões do Brasil, se encontra sob intensa exploração madeireira, por ser considerada madeira de lei.
“Este fato motivou uma tese de doutorado na Universidade São Paulo (USP), que buscou avaliar o atual estado de conservação de três populações naturais na bacia do Piracicaba em SP e em duas populações naturais no Paraná”, informa.
Na tese paulista, foram realizadas diversas análises genéticas que mostraram que a redução drástica do tamanho populacional afetou a estrutura genética da árvore, num processo de perda de genes conhecido como efeito gargalo. “É comum as pessoas utilizarem subprodutos da planta em receitas, por exemplo, no Centro-Oeste do País, onde a farinha é comercializada em feiras livres”.
Em várias regiões do País, a farinha do jatobá é utilizada em receitas de biscoitos, bolos, pães, doces e sorvetes.
Foram analisados alguns benefícios dessa farinha em biscoitos sem açúcar e produtos de fibras alimentares para diabéticos e pessoa sob restrição alimentar.
Os rendimentos das farinhas do jatobádo-cerrado, espécie comum na Bahia, e do jatobá-da-mata foram de 12,69% e 11,07%, em pesquisa realizada na região de Goiânia. A percentagem é o peso da farinha em relação ao peso de semente e casca. O rendimento levemente superior do jatobádo-cerrado pode ser devido à menor espessura da casca de seu fruto.