Maré vermelha retorna

14/01/2008
Maré vermelha retorna
 
 
Mancha enorme torna a aparecer, mas CRA garante que desta vez, fenômeno não representa riscos
 
 

A maré vermelha está de volta. Uma mancha enorme se espalha pela Baía de Todos os Santos em direção ao Morro de São Paulo. Mas, ao contrário do desastre ambiental que causou a morte de 50 toneladas de peixes, o novo fenômeno não representa nenhum tipo de ameaça à saúde pública nem às espécies marinhas. O Centro de Recursos Ambientais (CRA), que sobrevoa o local desde a semana passada, garante que a microalga tricodesmium, responsável pelo rastro vermelho nas águas, já foi analisada e não é nociva. O professor da Universidade do Vale do Rio Doce (Univale), Luís Proença, responsável pelo estudo da alga, concede entrevista coletiva, hoje, às 11h, no Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães. 

A diretora do CRA, Bete Wagner, garante que embora o organismo tenha características semelhantes a do dinoflagelado gymnodinium sanguineum, que originou a primeira maré vermelha, ele não representa risco para os peixes. “Felizmente, ela não traz nenhum dano para o mar, nem para nós”, comemorou. A alga, que costuma aparecer em mares tropicais e profundos, apresenta coloração vermelha, se multiplica com muita facilidade e se desloca para a costa. Na semana passada, as manchas apareceram, em proporções menores, nas praias da Boca do Rio, Amaralina e Rio Vermelho e foram alvo de denúncias no CRA.

“Ela parece óleo e tem odor forte, mas essas características não acarretam nenhum problema”, reforçou Bete Wagner. Enquanto que a mancha na região de Morro de São Paulo atinge uma enorme proporção, as que surgiram nas praias de Salvador já desapareceram sem deixar rastro. “A população não precisa entrar em pânico. Embora possa chamar de ‘maré vermelha’ por causa da cor, esse é um outro microorganismo que não causa nenhum mal”, assegurou a diretora. Ela garante que a alga não está mais em fase de multiplicação e logo terá desaparecido da região de Morro de São Paulo.  
 
Desde o aparecimento da espécie que o CRA vem realizando o monitoramento freqüente nas regiões afetadas. A certeza de que o microorganismo não representa perigo para os humanos e espécies marinhas surgiu desde a semana passada. Assim que apareceram na baía os primeiros sinais da mancha, a amostra da alga foi encaminhada para Universidade Vale do Rio Doce (Univale), em Minas Gerais, onde o professor Luís Proença analisou e garantiu que a tricodesmium não é nociva.

Embora tivesse com uma equipe atuando no local, o capitão dos portos, Maurício Groetaers Vianna, não conseguiu fazer contato com o pessoal para confirmar a existência da maré vermelha. Em entrevista por telefone, ele afirmou que desconhecia o fato e que não poderia fornecer maiores informações por conta da dificuldade em falar com os marinheiros que estavam na região.