Governo vai leiloar estoques de arroz

17/01/2008

Governo vai leiloar estoques de arroz

 

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) decidiu leiloar parte de seus estoques de arroz no Rio Grande do Sul para liberar armazéns para a nova safra, cuja colheita começa em meados de fevereiro. Das 1,5 milhão de toneladas que estão nas mãos do governo, cerca de 95% encontram-se em armazéns gaúchos.
Segundo o superintendente da Conab no Rio Grande do Sul, Carlos Farias, os leilões ocorrerão por pleitos da indústria - que se diz desabastecida - e do governo gaúcho, que precisa atender quatro mil produtores que dependem de seus silos. Por isso, a Conab ofertará no 75 mil toneladas no próximo dia 24, sendo pelo menos metade disto oriunda dos armazéns da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) - que tem 127 mil toneladas do cereal. O grão será vendido por R$ 25,50 a saca (60 quilos) - atualmente o cereal é comercializado entre R$ 24 a R$ 26 a saca no estado. Outra oferta, em igual valor, está programada para o dia 31.
"Não é o que queríamos, mas há a garantia de que se o preço cair em função do leilão, a Conab suspende a segunda remessa", disse o presidente do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Maurício Fischer. Para Carlos Cogo, diretor da Cogo Consultoria Agroeconômica, volume não é suficiente para derrubar o mercado - seriam necessários pelo menos 100 mil toneladas em cada leilão. Pelos dados da empresa, nos últimos 30 dias o preço do cereal subiu 14,39%, acumulando variação de 32% em relação ao início da safra (março de 2006). O leilão do governo não atendeu plenamente a proposta das indústrias. De acordo com César Gazzaneo, secretário-executivo do Sindicato da Indústria Arrozeira do Rio Grande do Sul (Sindarroz), o setor solicitava a venda de 150 mil toneladas em cada remate. Também queria que o governo retirasse os impostos do cereal para estimular a venda externa. No ano passado, o Brasil exportou cerca de 300 mil toneladas de arroz. A idéia do Sindarroz é que, sem taxação, chegasse a 1 milhão de toneladas - praticamente neutralizando o que tradicionalmente entra do Mercosul.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Neila Baldi)