Projeto está parado há cinco anos
Parado há mais de cinco anos, o Projeto Salitre – as famílias de trabalhadores rurais sem-terra acamparam em uma de suas áreas – é pivô de inúmeras manifestações populares, pela presença forte da água destinada ao agronegócio.
O canal, que está sempre com água, corta uma região seca, onde muitas famílias são obrigadas a pagar até R$ 100 por um carro-pipa de oito mil litros para encher cisternas.
Os que não podem, são obrigados a deixar as terras em busca de água em outros lugares.
Em meio às discussões, envolvendo movimentos sociais e governo, as águas do São Francisco correm pelo canal enquanto o projeto não é concluído.
No ano passado, o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima assegurou que para dar continuidade ao projeto será necessário um investimento da ordem de R$ 251,5 milhões (recursos do PAC), com prazo até o ano 2010 para implantação da irrigação, em cinco etapas, de uma área com mais de 31 mil hectares.
TECNOLOGIA E SUBSISTÊNCIA – No calor das discussões entre MST e governo federal, durante quase um ano de ocupação da área do Projeto Salitre, muita coisa foi dita pelos dois lados, mas o que ainda gera acaloradas opiniões é o destino das áreas do Salitre.
De um lado, os pequenos agricultores que lutam pelo direito à terra, plantio e geração de renda para as famílias; do outro, o governo com a implementação de mais uma extensa área de cultivo para o agronegócio, carro-chefe regional que já é responsável pelo primeiro lugar no ranking de exportadores de manga e uva do Brasil.
Na avaliação do diretor de Irrigação e Infra-Estrutura da Codevasf, Clementino Coelho, a Lei de Irrigação existe e deve ser cumprida, mas não tem compatibilidade com a legislação da Reforma Agrária. "A Codevasf não pode ser desviada das suas atribuições condicionais apenas por imposição de um movimento social", afirma.
O diretor diz não ser justo que um projeto como o do Vale do Salitre, “com concepção de agronegócio integrado” passe para o MST que, na sua visão, “não tem condição de absorver a tecnificação da agricultura irrigada de cadeias produtivas e de valor agregado”.
Na opinião do diretor de irrigação da Codevasf o crescimento da região do Vale do São Francisco se deu "pela irrigação e não pela agriCebola: entre as com melhores resultados cultura de subsistência".