Ensino fundamental e cultivo de ervas medicinais
As famílias de trabalhadores rurais sem-terra estão acampadas na área destinada ao Projeto Salitre desde o dia 1º de abril de 2007, em uma ocupação marcada por manifestações, tomada de prédios e locais públicos (a sede da Codevasf, em Juazeiro, e a Ponte Presidente Dutra, que liga Bahia e Pernambuco) e reuniões com representações dos governos estadual e federal, com propósitos reivindicatórios. Na pauta de reivindicação o principal pedido é quanto ao assentamento definitivo das duas mil famílias.
No acampamento do Vale do Salitre a água e a iluminação são improvisadas.
A escola que funciona no acampamento com ensino fundamental tem duas professoras cedidas pelo município, que também fornece a merenda escolar. O ensino médio é feito em uma escola de um povoado próximo. Agentes de saúde visitaram o acampamento em época de campanha de vacinação em crianças e animais.
Todo o lixo produzido é incinerado e o tratamento de água para consumo humano é feito de forma caseira e a saúde é tratada de maneira preventiva. Uma guarita improvisada à entrada do acampamento controla entrada e saída.
MEDICINA CASEIRA – Erva-doce, boldo-da-erva-doce, boldo-daIacute;ndia, algodão-crioulo, malva-grossa, artemísia, quebra-pedra, hortelã, berinjela, cravo, babosa e capimsanto são cultivados, para a produção de remédios caseiros, em oficinas com turmas de até 20 alunos.
De acordo com Valmir Oliveira, dirigente do MST responsável pelo cultivo das plantas medicinais e pelas oficinas, é importante manter esta relação com a terra.
"Trabalhamos com medicina natural, fabricamos remédios com as plantas que produzimos e manipulamos com o metido bioenergético que é eficaz e ajuda quem precisa", afirma, citando alguns compostos que são manipulados a exemplo de umbuzeiro com cirigüela, para asma, e macambira com coroa-de-frade, para retirar a nicotina do cigarro dos pulmões.
À sombra de um umbuzeiro, os alunos se reúnem e, ao lado de um forno de barro, preparam os remédios.
"A gente se reúne às quartasfeiras, para as aulas, com 70 alunos interessados em trabalhar com plantas medicinais", ressalta Valmir que espera ampliar a área de cultivo com outras espécies.