Experiência no extremo sul
Há 12 anos, o agrônomo Renato Dória iniciou no município de Porto Seguro a plantação consorciada de coqueiros com pés de cupuaçu, planta típica da região Amazônica que se adaptou bem aos solos do extremo sul. Há um ano, obteve financiamento do Banco do Nordeste e montou uma despolpadeira.
Ele é o único na região que planta o fruto, produz a polpa e vende para fábricas de polpas locais (pacotes de 5 quilos), para a rede varejista e (polpa Bom Sossego) e a distribuidores (Casa da Polpa), que repassam para mercados e hotéis do extremo sul. A polpa Bom Sossego é certificada pelo Ministério da Agricultura.
A plantação começou com dois mil pés na região – adquiridos na Estação de Una – e já ocupa uma área de 80 hectares (40 deles em produção), na Fazenda Bom Sossego. Um total de 16 mil pés de cupuaçu já garante ao agrônomo produção média anual de 62 toneladas de polpa.
O cupuazeiro (Theobroma grandiflorum ) é uma árvore de porte pequeno a médio, que, na Amazônia, atinge até 20 metros em altura. Sua fruta tornou-se conhecida por sua polpa cremosa de sabor exótico e de aroma agradável. A polpa é usada para fazer sucos, cremes de sorvete, geléia e tortas. A produção da Fazenda Bom Sossego atende a parte do mercado baiano.
CUPULATE – Em 2000, o fruto ficou conhecido quando a empresa japonesa Asahi Foods fez o pedido de registro da patente da planta no Japão e na Europa, reivindicando inclusive a marca Cupulate (tipo de chocolate feito da amêndoa do cupuaçu) como sua propriedade.
A amêndoa do fruto do cupuazeiro, depois de seca e moída, tem um sabor bastante semelhante ao do chocolate de cacau, com uma vantagem, segundo Renato Dória, de apresentar pouca teobromina (substância ativa que existe em maior quantidade na amêndoa do cacau).
No Brasil, a exploração comercial do cupulate ainda é pequena.
Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) obtiveram a patente sobre uma tecnologia para a fabricação de alimentos achocolatados à base do fruto do cupuazeiro, substituindo o cacau.
Seis produtos já foram produzidos com esta tecnologia, e o chocolate de cupuaçu patenteado há quase dez anos pela Embrapa, jamais comercializado.
As pesquisas sobre a produção do cupulate estão avançadas.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), de Manaus, comprovaram que as sementes podem ser fermentadas e secas em caixa de madeira e em seguida torradas, moídas e moldadas.
Na Bahia, o cupulate ainda não é comercializado. Na Fazenda Bom Sossego, a amêndoa do cupuaçu, depois de seca, é triturada e enriquece a ração do gado, juntamente com a fibra que sobra depois que o fruto passa pela despolpadeira. A casca, depois de moída, enriquece o adubo.
A colheita do cupuaçu é feita no chão, depois que os frutos caem da árvore. Na Fazenda de Dória, cada cupuazeiro está produzindo uma média de 40 frutos.
A adubação é de acordo com a análise do solo. A produção comercial da planta inicia-se após três anos e meio de vida.