Biodiesel na folia. E o sisal?
O Carnaval da Bahia, que atrai os maiores veículos de comunicação do mundo, tornou-se uma vitrine internacional para “vender” os potenciais do Estado. A idéia de usar o biodiesel para descarbonizar o Carnaval, promovendo-o na mídia global, pode também ser usada para promover o sisal, fibra natural que ajuda na diminuição de emissões de carbono, uma vez que a Bahia concentra 90% da produção do Brasil – maior produtor de sisal do mundo.
Assim como o governo promove o B5 (5% de biodiesel misturado a 95% de petrodiesel) utilizando os trios como outdoors sonoros para gerar imagem positiva, e lucros, investimentos na região sisaleira do semiaacute;rido baiano revelarão a força das suas fibras. O S30 (30% de sisal misturado a outras fibras sintéticas) pode estar nos trios, nos abadás, nas fantasias de Durval Lelys e nas decorações dos camarotes.
No sensível mercado globalizado, ações estratégicas geram expressivos ganhos sociais, econômicos e ecológicos. Com a nova proibição de uso de sacolas plásticas na China, o megamercado chinês pode transferir rendas para o semiaacute;rido baiano (68% do território e 45% da população do Estado) consumindo fibras de sisal com valores agregados localmente, ajudando a descarbonizar o planeta e melhorando a qualidade devida da gente da Bahia.
Acordos entre o governo baiano e o de Pequim podem transformar o sisal produzido na Bahia em sonho de consumo sustentável. A visão de econegócios, introduzida no setor sisaleiro, carente de infra-estrutura, logística e incentivos públicos, revolucionará o sisal, que ainda é desfibrado por trabalhadores de vidas secas movidos a jegue. Como pode tanta riqueza potencial conviver com tanta pobreza social, enquanto o capital sob forma de conhecimento abunda nas universidades locais? Hoje, apenas 5% das folhas colhidas são usadas para extração das fibras, e o resto, com múltiplos potenciais de uso, inclusive para produção de álcool, é descartado. A tequila, tradicional bebida mexicana vendida em todo o mundo, é produzida a partir do sisal. O S30 pode ser usado em tudo, nos retrovisores e revestimentos internos de veículos, em gabinetes de computadores, celulares e perfis para construção civil sustentável. Inovações sociais e tecnológicas, apoiadas pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, que esteve em Salvador no final de 2007, ajudarão a elevar a economia sisaleira a outros patamares de competitividade.
Importado para a Bahia em 1903 e plantado entre Madre de Deus e Maragojipe, o sisal pode gerar riquezas, promovendo a qualidade de vida de populações humanas e descarbonizando o ambiente, como ensinam os mandamentos da sustentabilidade. Hibernado há um século na pobreza do semiaacute;rido baiano, o sisal despertado entra na agenda para ser festejado – como o biodiesel – no Carnaval de 2009.