Safra no baixo sul pode chegar a 4 mil toneladas

28/01/2008

Safra no baixo sul pode chegar a 4 mil toneladas

 

É época da colheita do cravodaiacute;ndia (Syzygium aromaticum L.) em todos os municípios produtores do baixo sul da Bahia, região onde a planta é cultivada, na maioria dos casos, por mini e pequenos lavradores.
A colheita da atual safra, cujo período varia de acordo com as condições climáticas, começou com atraso, em novembro do ano passado, e o trabalho deve ir até fevereiro. Pelo calendário agrícola, deveria ter começado em setembro, mas fatores climáticos provocaram o atraso.
A safra deste ano, estimada em 4 mil toneladas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), está sendo considerada uma das maiores dos últimos anos. Plantas com 20 anos estão produzindo de 10 a 12 kg em média por dia.
Há anos a região não registra esta produtividade, que na safra atual foi favorecida pelas condições climáticas. “Ao contrário do do que ocorreu nos últimos três anos”, observa Wilson Souza do Lago, engenheiro agrônomo e há 25 anos com uma plantação de mil pés de cravo, em sua fazenda, no município de Taperoá, onde colheu sete toneladas este ano.
Em 2007, a safra não ultrapassou 1 mil toneladas. Para os produtores, a melhor colheita na região foi a de 2001, de aproximadamente 8 mil toneladas.
O Estado da Bahia é um dos poucos do País que produz esta especiaria de forma comercial.
Na época da colheita, é comum, em toda a região onde a planta é cultivada, avistar quantidades de cravos espalhadas pelos terreiros ou em frente às casas, sobre lonas ou diretamente lançados ao chão para secagem.
Para um bom desenvolvimento e boa produção, o cravo-daiacute;ndia exige temperatura média em torno de 25° C, umidade relativa não muito elevada e índice pluviométrico anual acima de 1.500 mm. Até o próximo mês, quando termina a colheita, o trabalho será intenso nas propriedades rurais, nos municípios de Valença, Taperoá, Nio Peçanha, Ituberá, Igrapiúna e Camamu.
Depois de colhido, o cravodaiacute;ndia necessita de três dias para secar, sempre colocado sob os raios solares, e ficar no ponto para a venda. Na falta de espaço adequado para a secagem, alguns agricultores utilizam trechos do acostamento da BA-001, rodovia que liga os municípios do baixo sul. “Eu faço isso todos os anos”, contou a aposentada Ana Maria da Conceição, de 65 anos, enquanto retirava os talos dos botões florais, na zona rural de Ituberá. Ela diz que faz este serviço para ajudar o filho, casado, que trabalha catando cravo, manualmente, nas roças da região, e pesca para sustentar a família, quando a safra termina. Na região, os catadores de cravo ganham por produtividade. Eles têm direito à metade do que conseguem colher. São meeiros da produção. Os contratados para as roças que utilizam colheita química recebem diária de R$ 15 a R$ 20. Os craveiros são de grande porte (de 8 a 15 metros de altura) e os botões florais ficam na periferia da copa. Dessa forma, os catadores são obrigados a usar escadas para a colheita manual (a outra colheita é a química), com riscos de acidente.
“Eu substituí a colheita manual pela colheita química e estou satisfeito”, disse o produtor Wilson Souza do Lago. Para ele, o processo da colheita manual não traz vantagens. “Os custos da exploração e do cultivo são onerados em 50%, além disso, se ocorrer algum acidente com um trabalhador, a responsabilidade será nossa”. Adriano Santos Souza , 20 anos, diz que sabe dos riscos que corre quando colhe cravo manualmente: “É arriscado passar o dia todo amarrado no alto de uma árvore com galhos fracos para ganhar em média R$ 50 por semana, com as vendas do que eu consigo do cravo que fica comigo na hora da partilha”.A Bahia é um dos poucos Estados do País onde o cravo é produzido comercialmente. Entre os compradores do produto estão Alemanha, Indonésia e Estados Unidos.O preço do quilo do cravo-daiacute;ndia tem variado, entre R$ 4 e R$ 7. No início do mês, esteve cotado R$ 4, no mercado de Valença; esta semana, aparece com o preço de R$ 4,50.