Produtores chamam atenção para a importância da cultura na região

28/01/2008

Produtores chamam atenção para a importância da cultura na região

 

Em Ituberá, município onde se concentra grande parte das propriedades produtoras de cravo-daiacute;ndia do baixo sul, os compradores intermediários do produto dizem que a safra é uma as melhores dos últimos anos, mas se queixam da falta de incentivo à lavoura. “O governo parece que desconhece a importância da cultura do cravo para nossa região e não oferece incentivos para os produtores”, reclama Eliseu Sales de Almeida, 38 anos, pequeno comprador de cravo há oito anos.
Conhecedor do drama do desemprego na região e ex-catador, ele considera a cultura importante para a geração de emprego e renda na região. “O cravo ajuda a economia, mas faltam incentivos”, fala, como um especialista, acrescentando que não conseguiu completar o ensino fundamental, mas aprendeu, na prática, “que apoio e incentivos à agricultura podem ser a alternativas para mudar o perfil socioeconômico da região”. Ele é endossado pelo comprador Jair Moraes, 53 anos.
Na zona rural de Ituberá, praticamente todos os moradores estão envolvidos com a colheita da safra de cravo. O agricultor Kenji Yogo, 36 anos, descendente de uma das primeiras famílias de japoneses a se instalar na colônia agrícola, há mais de meio século, diz que está satisfeito com a produtividade.
“Realmente, está sendo surpreendente”, constata, apontando para um craveiro carregado. Mas o agricultor, que trocou a colheita manual pela colheita química, há mais de uma década, também não esconde a preocupação com o futuro da cultura. “Na próxima colheita, essa boa produtividade poderá não se repetir. Então temos que nos prevenir e guardar o que ganhar com a safra“, diz.
A participação de toda a família na exploração da cultura do cravo é uma das características da atividade nas mini e pequenas propriedades da região. A dona-de-casa Josineide Maria dos Santos Bispo, 27 anos, conta que durante a safra vai com a família catar cravo na fazenda do sogro, em Ituberá.
“Eu gosto do trabalho e ainda dá para ganhar algum dinheiro com a venda do produto”. O estudante Alan do Nascimento Damasceno, 18 anos, trabalha com familiares na roça e também toma conta da produção de cravo-daiacute;ndia que é espalhada no terreiro em frente à casa onde mora, no núcleo colonial.

UTILIZAÇÃO – Um craveiro pode alcançar mais de 100 anos de vida.
O seu produto de valor comercial é a flor desidratada, de largo uso na culinária, na medicina e na perfumaria.
Quando os botões começam a mudar de cor, saindo do verde para a cor róseo-avermelhada, já devem ser colhidos.
A grande importância do cravo é a presença de óleos essenciais, especialmente o eugenol, que possui uma ação analgésica e antisséptica, e devido a estas propriedades foi utilizada durante muitos anos pelos dentistas, juntamente com o óxido de zinco, para curativos.
No Brasil, é muito empregado na preparação de doces, mas isto é herança da cultura portuguesa. Pode ser usado no preparo de alguns licores compostos e no famoso quentão e vinho quente das festas juninas e em pratos salgados.
Os principais compradores do cravo-daiacute;ndia produzido no baixo sul da Bahia são Alemanha, Indonésia e Estados Unidos. O preço do quilo está entre R$ 4 e R$ 7 o kg.
Para os produtores, estes valores cobrem as despesas com o custo da produção e garantem certo lucro. O cravo é originário do Extremo Oriente, não sendo encontrada na literatura uma região específica. Produtores, a exemplo de Kenji Yogo, estão substituindo a colheita manual, que envolve riscos de acidentes para os catadores, pela colheita química, que consiste na utilização do fitohormônio – conhecido comercialmente como Etrhel –, já testado pela Ceplac.
“O produto é aplicado na planta com um equipamento de pulverização, e atua liberando etileno no tecido vegetal, o que provoca o amadurecimento precoce e mais uniforme dos botões florais, induzindo a queda dos mesmos”, explica o técnico agrícola da Ceplac em Valença, Givaldo Ferreira Couto.
O equipamento de pulverização foi desenvolvido e testado por uma equipe de pesquisadores responsáveis pela área de tecnologia de aplicação de agroquímicos da Ceplac e pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).
Everaldo Santos de Jesus, de 34 anos, dono de uma pequena roça, também substituiu a colheita manual pela química. “É menos arriscado”, avalia, acrescentando que espera ganhar o com a safra para pagar os gastos com o material. Na colheita manual, o botão floral é apanhado quando atinge o ponto de maturação, que acontece com a abertura da flor. Esse trabalho exige um grande contingente de mãodeobra, por um período curto, dado a urgência da colheita.

#  100 anos de vida pode alcançar um craveiro, planta originária do Extremo Oriente.

mil toneladas de cravo é a previsão da safra para este ano nos municípios produtores da região do baixo sul do Estado.

Fonte: Ceplac