Crise deve afetar preço de commodities
Os temores de que o agravamento da crise nos Estados Unidos atinja em cheio os preços das commodities já começam a se confirmar. Se a queda das cotações das matérias-primas agrícolas e industriais comercializados no mercado internacional se acentuar, o Brasil passa a conviver com o risco de ver suas vendas externas se estagnarem ou até caírem em relação aos valores registrados em 2007, interrompendo um ciclo de oito anos de crescimento consecutivo das exportações.
De acordo com índice elaborado pelo Commodity Research Bureau, dos Estados Unidos, as cotações desses produtos perderam sustentação depois que a crise nos EUA se disseminou pelos mercados mundiais.
"Os preços de algumas commodities exportadas pelo Brasil já dão mostra de enfraquecimento”, diz Fábio Silveira, sócio diretor da RC Consultores. Segundo ele, o preço da soja, principal commodity agrícola negociada pelo País no mercado global, apresenta alta de 9% na média de janeiro, mas na quartafeira a cotação do grão já era praticamente igual à do mês passado. Também na ponta, o preço do suco de laranja estava 6% abaixo da cotação de dezembro, enquanto o do petróleo caia 3,3% e o do zinco apresentava desvalorização de 6%.
"A tendência é de que o enfraquecimento dos preços continue”, diz Silveira.
Nesse cenário, a possibilidade de queda nas exportações do País, algo que seria impensável há bem pouco tempo, mesmo com o câmbio em baixa, já começa a ser admitido por entidades como a Associação de Comércio Exterior do Brasil.
DAVOS – A crise norte-americana também chegou à cidade suíça de Davos, onde aconteceu, até ontem, a edição de 2008 do Fórum Econômico Mundial.
O temor de que a economia norte-americana entre em recessão dominou os debates durante todo o encontro.