Estiagem de janeiro reduz produtividade de milho
A estiagem, que atingiu mais intensamente algumas regiões produtoras do cerrado baiano no mês de janeiro, alterou a previsão de produção e produtividade do milho na região, onde ocupa uma área de 185 mil hectares.
Além de alteração nos índices de produtividade, a seca facilitou um ataque de pragas na cultura, dobrando o número de aplicações de defensivos, comprometendo a sua lucratividade.
As demais culturas, de acordo com a terceira estimativa de safra, realizada no final do mês passado, ainda não foram afetadas.
Segundo esse levantamento, o milho, cuja perspectiva era produzir 110 sacas por hectare, não deverá ultrapassar a média de 100 sacas por hectare. A cultura, por ser a primeira semeada em cada safra, foi mais atingida.
Conforme o engenheiro agrônomo Antônio Grespan, do Conselho Técnico da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o atraso do período chuvoso no final do ano passado comprometeu também o início do plantio.
“Normalmente, a estiagem de janeiro pega o milho mais adiantado, mas, este ano, a maioria das lavouras ainda estava em fase de floração e enchimento dos grãos, fase mais crítica da produção”.
Com um tempo médio de 120 dias entre a semeadura e a colheita, a perspectiva é que haja também um atraso no início da colheita. “A colheita deverá começar, na maioria das fazendas, por volta do dia 15 de março”, destacou Grespan.
REDUÇÃO –`Na estimativa de plantio realizada em novembro de 2007, a expectativa era produzir 1.221.000 toneladas de milho na safra 2007/2008. Como reflexo da seca, a atual estimativa é de 1.110.000 toneladas. Na safra passada, quando foram plantados 166 mil hectares de milho, a região produziu 1.205.160 toneladas, com uma produtividade média de 121 sacas por hectare.
Este ano, além de reduzir a produção dos grãos, a estiagem facilitou também o aumento do ataque de pragas, a exemplo da lagarta do milho, segundo o diretor do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Celito Missio.
A estimativa é que 50% dos produtores de milho foram atingidos, principalmente aqueles localizados nas regiões de Roda Velha e Rosário, nos municípios de São Desidério e Correntina, respectiva mente.
A lagarta, que se prolifera com maior intensidade em condições de altas temperaturas e baixos níveis de umidade, ataca, a princípio, as folhas do milho, diminuindo o vigor da planta. Não combatida a tempo, a praga se fortalece e destrói espigas e prejudica a formação dos grãos.