Carne: embargo não altera preço

11/02/2008

Carne: embargo não altera preço

 

O veto europeu à carne bovina brasileira pode ocasionar uma “invasão” de carne de outros Estados na Bahia, uma concorrência difícil para os produtores baianos e maiores ganhos para os comerciantes varejistas. O consumidor, entretanto, mais uma vez, não terá benefício, segundo avaliações feitas no setor.

O presidente da Cooperativa Pecuária de Feira de Santana (Cooperfeira), Wilson Pereira, destaca que os frigoríficos que vendem para o exterior levam grandes vantagens até no transporte, em relação aos produtores baianos.

A carne para exportação é desossada e, por isso, em apenas um caminhão, esses frigoríficos podem transportar um volume de carne equivalente a 100 bois.

Ou seja, quase cinco vezes mais do que um caminhão usado no transporte na Bahia, que tem capacidade para apenas o equivalente a 22 bois”, explica.

O presidente da Cooperfeira diz que não há uma previsão de quando essa “invasão” começará a acontecer. Mas ele já demonstra preocupação. “O governo da Bahia proporcionou uma reserva de mercado no Estado, quando aumentou o imposto para a carne que vem de fora. Mas, vez por outra, se descobre um caminhão carregado com carne de primeira e a nota fiscal com valores calculados com base nos preços de carne de segunda ou até vísceras”, conta.

O embargo à carne brasileira trouxe reflexo positivo para os consumidores do Sul do País, que já estão comprando carne até 20% mais baratas. O mesmo, no entanto, não deve ocorrer na Bahia, confirmam o presidente da Associação Baiana de Supermercados (Abase), José Humberto Souza, e o vice-presidente do Fórum de Pecuária de Corte, Marcelo Martins.

Ambos explicam que a Bahia não está entre os Estados exportadores de carne, pelo contrário, produz menos do que consome.

A Bahia importa carne de Tocantis e Minas Gerais por não produzir o suficiente para o próprio consumo”, explica José Humberto Souza. “Apenas 3% da produção nacional é exportada, portanto, o embargo não afeta em nada o consumo interno”, endossa Marcelo Martins.

ESTIAGEM —Sem chuvas regulares regulares desde meados do ano passado, a região de Itapetinga, a 590 km de Salvador, ainda tenta recuperar parte das pastagens, cujas perdas chegaram a 70%, fazendo disparar o preço da arroba boi, de R$ 54 para R$ 75.

Os mais otimistas acreditam que a recuperação dos pastos degradados só deve acontecer em março deste ano, mesmo assim expectativa é de queda nos preços da carne. Não por causa veto europeu à carne brasileira, mas devido à redução no custo dos insumos, que representam 30% da produção bovina.

Por enquanto o que se vê microrregião agropastoril de Itapetinga é o inverso do que ocorre no Sul do País, onde a queda no preço da carne beira os 20%. Tomando como exemplo a picanha, peça nobre e indispensável num bom churrasco, o consumidor final entende o tamanho “apetite” dos criadores.

Do fornecedor até a mesa consumidor final o quilo dessa carne sofre variação de 187,5%.

percentual vale para a carne produzida em Itapetinga e comercializada, por exemplo, nos supermercados de Vitória da Conquista.

São pouco mais de 100 quilômetros de viagem, mas suficiente para fazer o preço subir de R$ 9 para até R$ 25,88 o quilo.

Outras carnes especiais, como o filé, tiveram alta maior, com quilo custando até R$ 28,48.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) confirma a tendência de alta em Itapetinga. De acordo com a entidade, o PIB do agronegócio fechou o ano com crescimento estimado de 5%, resultado do bom desempenho agrícola e pecuário, porém, a rentabilidade continuou fraca.