Programa pretende acabar com déficit de leite na Bahia

11/02/2008

Programa pretende acabar com déficit de leite na Bahia 

Estado produz 920 milhões de litros, mas consome 1,5 bilhão por ano
   

A Bahia pode abandonar, em breve, a posição de região importadora de leite. Pelo menos, essa é a proposta de um projeto em andamento no estado, cuja intenção é acabar com o déficit do produto no mercado estadual. Apesar de ser o principal produtor do Nordeste e contar com o terceiro maior rebanho de vacas leiteiras do país, o território baiano ainda não consegue atender plenamente seu segmento consumidor e é obrigado a importar parte do volume consumido. “O estado produz, atualmente, cerca de 920 milhões de litros por ano. Entretanto, o consumo interno anual chega a quase 1,5 bilhão de litros”, salienta o gerente de programas especiais do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Luiz Sande.


De acordo com o plano, realizado pelo Senar em parceria com o Sebrae e a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia, a idéia é promover a reestruturação da cadeia produtiva local. “O objetivo é tornar o estado auto-suficiente na produção desse artigo”, afirma.


Entre as metas do programa, está a melhoria da produtividade local, considerada hoje uma das piores da pecuária leiteira no Brasil. “O território baiano está apenas na 23° posição na produção de leite por vaca”, argumenta. Contudo, segundo Sande, esse cenário não reflete, necessariamente, em algo negativo, já que revela a existência de um enorme potencial de crescimento. “O setor leiteiro é o maior empregador do agronegócio. Com a auto-suficiência podemos ampliar ainda mais a geração de emprego e renda. Além disso, o estado deixaria de ficar dependente de qualquer turbulência que ocorresse em outras regiões do país”, avalia.


Na lista das ações em pauta, está a intervenção técnica nas propriedades leiteiras, através do Projeto de Assistência Gerencial Tecnológica (Agetec). Nas áreas assistidas, serão adotadas diversas medidas, a exemplo de um diagnóstico da propriedade, a realização de cálculos de custos e um planejamento para o desempenho das atividades. A consultoria será oferecida a partir de uma visita mensal obrigatória, além de outras eventuais, conforme solicitação prévia do produtor e disponibilidade do consultor.


“Vamos combater também o comércio clandestino e investir na capacitação dos trabalhadores. Outra ação importante, será organizar os pequenos produtores, os quais representam 77% do contingente que entrega leite nas agroindústrias”, destaca.


Sazonalidade - A expectativa é que o programa, cuja meta é atender cinco mil produtores nos próximos quatro anos, contribua também para a redução da sazonalidade - um dos principais problemas enfrentados pela indústria. “Todo ano, existem épocas onde são comuns as interferências climáticas. Contudo, é preciso que o produtor tenha condições de ter uma reserva suficiente de forragem para alimentar seus animais, evitando assim que eles passem fome e, com isso, não haja prejuízo na produção”, explica.


Dentre os benefícios no combate à sazonalidade, está a redução nas oscilações no preço do artigo, a exemplo das recentes altas ocorridas em função dos efeitos da entressafra. “No final do ano passado, o litro do leite nas usinas atingiu o patamar de R$0,82. Hoje, já está na faixa de R$0,60 a R$0,70, mas ainda vai demorar para ocorrer uma redução maior”, analisa.


O plano de reestruturação da cadeia produtiva na Bahia já contabiliza a participação de sete agroindústrias, sendo que cada uma ainda contempla um grupo de 13 a 15 produtores. Inicialmente, o planejamento vai atender as comunidades lotadas no extremo sul baiano e nas áreas de Piemonte do Paraguaçu, Vitória da Conquista e Itapetinga - regiões que respondem por 30% da produção estadual.