Estado é classificado como zona livre
Sem nunca ter registrado um único caso de sigatoka negra, a Bahia conseguiu ser classificada como zona livre da praga por tempo indeterminado. A resolução publicada na instrução normativa no 02, do Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento, deve abrir mais ainda as portas do mercado internacional para os mais de 20 mil produtores baianos. O estado é o maior produtor de banana no Brasil, com 1,25 milhão de toneladas, em uma área de cultivo que ultrapassa 84 mil hectares.
A decisão amplia e consolida a posição do estado em relação à sigatoka negra, que desde 1986 era considerado zona livre por prazo determinado. “Agora vamos ver mercados se abrirem com uma velocidade muito maior. É uma vitória principalmente dos produtores, que apostaram na prevenção”, afirma Cássio Peixoto, diretor de Defesa Sanitária Vegetal, da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
Uma das primeiras reações deve ser a retomada do ritmo de exportações para a Argentina, que no ano passado chegou a recusar remessas de banana do Brasil, alegando razões fitossanitárias. Mesmo não representando risco à saúde humana, a doença é muito temida porque pode causar perdas de até 100% das lavouras infectadas. Atualmente, a Bahia já exporta para outros estados e países do Mercosul, Europa e há também a expectativa de vender para países da Ásia.
Os principais pólos produtores de banana no estado estão no baixo sul e oeste, sendo que o primeiro se destaca pela produção familiar, e o segundo através do agronegócio. Para proteger as lavouras baianas, está proibida a entrada no território de frutas vindas de Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, onde existem focos conhecidos da doença.
Somente em 2007 foram apreendidas 30 toneladas de banana sem a autorização para transporte de vegetais, que comprovaria a origem do produto. Em 2008 ainda não foram realizadas apreensões, mas um posto de vigilância permanente foi montado no Ceasa, em Simões Filho. “Neste local recebemos material de todo o país e precisamos ficar atentos, pois o fungo também pode estar hospedado em frutas cítricas e flores como as helicônias”, justificou Peixoto.