"O essencial é expandir a atuação do País no mercado de orgânicos"
A Biofach, a maior feira de negócios do setor orgânico internacional, que acontece de 21 a 24, na cidade de Nuremberg, Alemanha, vai conhecer, este ano, projetos bem-sucedidos de agricultores familiares e orgânicos do mercado brasileiro.
Uma novidade produzida pela Bahia será apresentada na feira: o doce cremoso de banana com maracujá, desenvolvido na Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc/ BA).
Mas esta não é a primeira vez que a Coopercuc participa da maior feira de orgânicos do mundo. Ano passado, apresentou aos europeus os doces de umbu, banana com maracujá e geléia de maracujá.
Atualmente, a Coopercuc comercializa 15 mil potes de doces de umbu, banana com maracujá e geléia de maracujá para uma organização de comércio justo da Áustria.
Além disso, a certificação internacional dos produtos orgânicos é uma das exigências dos importadores. O Projeto Organics Brasil desenvolve um trabalho de divulgação e fomento de empresas brasileiras de produtos orgânicos certificados para exportação, através de feiras internacionais e missões comerciais.
Nesta entrevista a Regina de Sá, o gestor da empresa, Ming Liu, que este ano leva 27 empresas brasileiras à feira, explica como é possível fomentar a comercialização dos orgânicos nacionais no exterior.
Para Liu, o setor será mais organizado com a regulamentação da cadeia de orgânicos, via Lei nº 10.831, que beneficiará os 15 mil produtores que utilizam 800 mil ha. de área, segundo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
A TARDE | Como os produtores de orgânicos podem buscar a certificação para exportação? MING LIU | O primeiro passo é buscar a certificação internacional nos mercados-alvo em que pretendem atuar, já que cada país/continente tem a sua certificação própria.
Hoje, os três principais mercados são Estados Unidos, Europa e Japão. No Brasil, pode-se obter esta certificação através das especializadas BCS-Control, Ecocert, IBD e IMO. Todas com escritórios no País e já efetuando as acreditações para o mercado internacional.
Cabe ao produtor buscar a que melhor lhe atende. O mercado externo busca sempre o produto certificado e garantia de regularidade no fornecimento. Caso o produtor possa atender a essas condições, já tem 50% do caminho cumprido para a certificação internacional.
AT| Quais as regiõesdoNordeste com maior potencial? ML | AregiãodoValedoSãoFrancisco sem dúvida é hoje a de maior potencial, em especial a região de Petrolina e os outros pólos de produção de frutas. A região de Crato, no Ceará, tem um importante centro produtor de mel. A Paraíba, com suas cooperativas de algodão orgânico e também a região da Bahia, com produção de cacau. Todas essas áreas são grandes potenciais dos diversos segmentos.
AT | O mercado externo interessase mais por frutas, grãos, artesanato (fibras) ou bebidas? ML | Todos esse produtos são demandas fortes no mercado externo.
As frutas tropicais são, na sua maioria, comercializadas in natura ou em forma de sucos e polpas concentradas. Apesar da grande demanda de grãos, a produção ainda é muito limitada, com área de produção centrada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O artesanato é ainda um segmento novo, onde, muitas vezes, o conceito é levado para o lado ecológico.
Nesse nicho eu acredito que os grandes pólos de potencial a serem desenvolvidos são o Nordeste e o Norte. Isso porque nessas regiões há uma grande diversidade de sementes, pedras, fibras naturais, que, aliada à criatividade e aos costumes locais, acaba criando um conceito de produto diferenciado de tudo que existe.
AT | Quanto este mercado representa em volume de negócios? ML | Omercado mundial está estimado em cerca de US$ 45 bilhões.
No Brasil, ainda não temos condições de mensurar o tamanho, mas, pelas participações nos eventos nacionais e pelos dados que as redes de varejo têm divulgado, estimamos que a movimentação esteja na ordem de 150 milhões a 200 milhões de dólares.
AT | Que dicas e/ou sugestões o senhor daria para os produtores que queiram participar como expor tador? ML | Fazer muita pesquisa de mercado; conhecer as demandas existentes e as culturas de cada mercado; e não sair da raiz do conceito.
O Brasil é um país orgânico por natureza e, muitas vezes, as empresas acabam com a ilusão de fazer embalagens como as do mercado americano, saindo da sua essência.
Criar um produto com cara de estrangeiro é justamente o que os importadores mais abominam.
Eles querem produtos do Brasil, com a cara e jeito do Brasil.
AT | Quantas empresas brasileiras participam dessa feira? Quantas vão pelo projeto? ML | Participam dela cerca de 2.500 empresas expositoras, vindas de 110 países. Vamos levar este ano 60 empresas, com volume de exportação de US$ 28 milhões.