Baixo nível de água traz prejuízo a Sobradinho
Produtores rurais que vivem à margem do Lago de Sobradinho (558 km de Salvador) estão prejudicados pela baixa das águas do reservatório que este ano não contou com as chuvas. Desanimados, alguns pensam em se mudar e começam a colocar suas propriedades à venda.
O agricultor José Dias dos Santos, que mora com a família no povoado de São Gonçalo Novo, a 13 quilômetros de Sobradinho, lamenta: “Aqui ninguém vive sem água”, disse. José foi obrigado a parar de plantar e conseguir trabalho em fazendas vizinhas.
Em seus dez hectares de terra, a plantação de cebola se perde. Do lado de fora da casa de um dos filhos, ficam inertes os canos usados para trazer água do lago.
Poucos metros dali outros produtores falam em abandonar a agricultura. “A água do reservatório está a quase seis quilômetros de onde era antes. A solução é vender as terras”, diz a produtora Hilda Silva.
Hilda chegou em Sobradinho em 1985, quando tudo era diferente.
“O lago nunca baixava o nível”, lembra. Para o produtor que vive da agricultura há 50 anos, Sebastião dos Santos, a tristeza é acompanhada de esperança: “Vivo da agricultura desde menino”, garante. Tendo acompanhado a evolução da água nas plantações ele lembra: “Comecei a plantar cebola levando água em galão. Passou para o motor e agora é com bombas”, diz.
Com o Lago de Sobradinho em volume de 29,4% de sua capacidade, os agricultores estimam que este ano o lago não deve atingir cota máxima, devido à falta de chuvas. Desde o início do período chuvoso – entre novembro e março –, o volume de chuvas foi bem menor que a esperada pela Companhia Hidrelétrica do Vale do São Francisco que precisou mexer na vazão do lago para não haver prejuízos no abastecimento de energia.