Impasse com carne retarda retomada da venda do mel

19/02/2008

Impasse com carne retarda retomada da venda do mel


 

O impasse que o Ministério da Agricultura enfrenta com o contencioso da carne na União Européia podem atrasar a retomada das exportações do mel nos próximos dias – que teriam como destino esse mesmo mercado. No caso do mel, o novo embaraço seria com a exigência do governo brasileiro de que cada apiário seja credencido no Serviço de Inspeção Federal (SIF). Segundo representantes do setor, isso seria inviável. Os apicultores tiveram um prejuízo de pelo menos US$ 3 milhões no ano passado devido ao embargo que a União Européia impôs ao país.
O cálculo leva em consideração o valor de US$ 1.900 por tonelada que os europeus estão pagando em outros mercados, contra os US$ 1.600. Os Estados Unidos, que passaram a absorver a produção, pagam esse valor ao Brasil desde maio de 2006 – período em que foram canceladas as exportações para a Europa De acordo com as informações do Sebrae Nacional, o país exportou cerca de 12,9 mil toneladas em 2007, somando US$ 21,2 milhões, o que o gradua como o 5 exportador e o 11 produtor mundial.
O prejuízo seria ainda maior – algo acima dos US$ 50 milhões em 2007 – se fosse considerado o potencial de crescimento do mercado, que foi reduzido substancialmente com as incertezas que o embargo causou. Segundo a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), as exportações poderiam girar, hoje, em torno de 35 a 40 mil toneladas por ano.
Para Joelma Lambertuci, presidente da Abemel, "a Europa deu um parecer favorável à qualidade do mel brasileiro no início desse mês, mas em agosto, o governo passou a exigir que todos apiários devem ser registrados no SIF e isso é difícil", desabafa. Para ela, as exigências de estrutura de SIF são incompassíveis com a renda do produtor. O problema não é com a rastreabilidade como no caso da carne, mas com a exigência de um parecer favorável do governo federal em torno do mel", finaliza.
Já Ari Crespim, coordenador geral de programas especiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), diz que o ministério já havia comunicado aos produtores há cerca de um ano. "A União Européia exige um controle na cadeia produtiva. Por isso, o produtor precisa analisar se compensa ou não continuar exportando", diz.
Segundo o apicultor João Rodrigues Seabra Filho, o problema poderia ser facilmente resolvido se o próprio governo federal inspecionasse o produto no entreposto, antes do embarque. "Exigir SIF para o mel é a mesma coisa que exigir o registro para todos os produtores de leite. No caso, só o laticínio precisa ser credenciado", compara.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Roberto Tenório)