Produção de etanol enfrenta obstáculos
O etanol terá de superar obstáculos à produção e à distribuição antes de se tornar um combustível alternativo importante para veículos americanos, disse Tiffany Groode, da Cambridge Energy Research Associates (CERA).
Em dezembro, o presidente dos EUA, George W. Bush sancionou lei que cria condições para que o uso de biocombustíveis quadruplique nos próximos 15 anos, para 36 bilhões de galões (136 bilhões de litros), a partir dos atuais 7,5 bilhões de galões.
"A produção de biocombustíveis afeta o setor petrolífero com relação a questões como: de que forma você os transportará para as refinarias? Como você os misturará e de que forma os distribuirá?", questionou Groode em conferência realizada em Houston e patrocinada pela CERA.
O transporte de etanol a partir de instalações de produção para postos de gasolina poderia custar entre US$ 0,13 e US$ 0,18 por galão, ou cerca de seis vezes mais do que o transporte dos tradicionais combustíveis derivados do petróleo, disse Charles Drevna, presidente da Associação Nacional de Petroquímicas & Refinarias, em audiência realizada em Washington na semana passada.
A maior parte do etanol consumido nos Estados Unidos é proveniente do milho e isso também está gerando questionamentos quanto à utilização da terra, disse Groode. "Se você cortar todas as árvores de uma floresta e substituí-las por plantações de milho, essa não será a coisa certa a se fazer", disse ela. "No fim das contas, não podemos nos declarar amigos do verde só porque usamos etanol."
O novo padrão para combustíveis renováveis, que visa reduzir o volume de petróleo bruto transformado em gasolina, poderá aumentar a participação do etanol no mercado de combustíveis para o setor de transportes de 2 para 15 por cento até 2022, disse ela.
Groode, diretora-associada do grupo Cambridge Energy, tem doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde ela estudou os impactos ambientais da produção de etanol.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Bloomberg News)