Monsanto reverte a maré na guerra dos transgênicos
Quando Hugh Grant assumiu o cargo máximo na Monsanto em 2003, o apelido da empresa em alguns círculos era "Mutanto". Um coro de críticos alertou que as sementes transgênicas poderiam eliminar a borboleta monarca, transmitir novas alergias virulentas às pessoas e reduzir a diversidade agrícola do planeta. O autor Jeremy Rifkin prognosticou que os organismos geneticamente modificados se revelariam "o maior fracasso isolado na história do capitalismo". Paul McCartney instou o mundo a "dizer não aos transgênicos". O príncipe Charles escreveu um editorial no qual argumentou que a engenharia genética remete "a humanidade a domínios que pertencem a Deus e só a Deus".
Nos doze meses que antecederam a ascensão de Grant, a cotação do papel da Monsanto caiu quase 50%, a US$ 8 por ação. Em 2002, o ano fiscal anterior, a empresa perdeu US$ 1,7 bilhão. "Estávamos debilitados financeiramente", lembra Grant, que fala com a cadência animada da sua Escócia natal.
Menos de cinco anos depois, a Monsanto está prosperando. O lucro líquido da empresa cresceu 44% no ano passado, para US$ 993 milhões, sobre uma receita bruta de US$ 8,5 bilhões. As ações, que fecharam cotadas a US$ 104,81 em 5 de dezembro, cresceram mais de 1.000% na gestão Grant. Esses números refletem uma história mais ampla: a Monsanto reverteu a maré na guerra dos transgênicos.
Apesar de um grupo de opositores protestar contra as lavouras de biotecnologia, um número crescente de agricultores começou a plantá-las. O motivo não é mistério: as sementes da Monsanto contêm genes que matam germes e toleram pesticidas que exterminam ervas daninhas. Portanto, seu cultivo é muito mais fácil e barato.