Impasse da carne com a UE afeta mel e pescados
O contencioso da carne bovina envolvendo Brasil e União Européia (UE) já atrasa as negociações para exportação de outros produtos agrícolas brasileiros para o mercado europeu, e o primeiro a sofrer este impacto é o mel.
O mel está proibido de entrar na UE por causa de problemas de resíduos. Recentemente Bruxelas até sinalizou aos produtores brasileiros que o fim do embargo poderia ocorrer no último mês de janeiro. Agora, porém, sequer toca no assunto. Os pescados também são atingidos. O bloco passou a ignorar as demandas do Brasil para habilitar novos frigoríficos para exportar o produto.
"Os europeus sentaram-se sobre o mel e o peixe", reconhece uma fonte que acompanha as negociações. Até vetar o mel brasileiro em suas fronteiras, em março de 2006, sob a alegação de falta de controle de resíduos, a UE absorvia cerca de 80% das exportações do país.
Nesse cenário, cresce o temor de que Bruxelas alveje também a entrada de carne de frango. No ano passado, somente a Holanda, por onde entra boa parte das mercadorias, registrou importações de carne de frango do país superiores a US$ 600 milhões.
Para fontes do setor na Europa, toda a parte agrícola do comércio bilateral, que representa 35% do total - mais de ? 9 bilhões de euros dos ? 26 bilhões de euros exportados do Brasil para a UE em 2006 - pode ser contaminada de alguma maneira pelo que está acontecendo na área de carne bovina. Existe, agora, uma enorme expectativa sobre a missão européia de veterinários que visita o Brasil no próximo dia 25 para tentar desbloquear o problema da carne.
Segundo especialistas, a área de saúde e proteção do consumidor européia deixou as "portas abertas" para uma solução com o Brasil, mas espera que desta vez o governo se engaje em algo que possa realmente implementar.