Após o leite e o feijão, café ficará mais caro
Vai faltar café no Brasil este ano e o consumidor baiano já deve preparar o bolso, pois irá pagar mais caro pelo produto a partir de junho. Segundo previsão dos produtores estaduais, a escassez do artigo no mercado nacional será inevitável, provocando, ainda nesse semestre, uma disparada nos preços, como aconteceu nos últimos meses com o feijão e o leite. Entre os fatores responsáveis pelo alerta, está o baixo volume estocado atualmente no país e o longo intervalo até a próxima colheita. “Em 1990, o governo brasileiro tinha 18 milhões de sacas em estoque. Hoje, são apenas 500 mil sacas, que devem acabar dentro de três meses. O problema é que a nova safra só começará a ser colhida em junho”, declarou o presidente de honra da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo.
Segundo explica, com o término do estoque governamental, restaria então o café estocado pela cadeia produtiva nacional, incluindo os exportadores e as indústrias. “Contudo, existem apenas quatro milhões a cinco milhões de sacas estocadas nesse segmento. É uma margem que não oferece nenhum tipo de segurança, pois o Brasil consome 17 milhões de sacas por ano, enquanto exporta 27 milhões. Sendo assim, o risco de faltar café já em junho é muito grande”, argumenta.
Com a escassez em curso, João ressalta que o descontrole em torno dos preços será também inevitável. Entretanto, conforme enfatiza, ainda é impossível prever de quanto será esse aumento. “O consumidor final vai pagar mais caro, mas é difícil calcular esse reajuste interno”, afirma. A expectativa da entidade é que o impacto maior ocorra no preço do café tipo exportação, reconhecidamente de melhor qualidade. “Não há perspectiva de mudança nesse cenário, mas, por enquanto, ainda não podemos precisar a gravidade desses acontecimentos”, completa.
Na avaliação do dirigente, também não existem indícios de que o valor de venda volte ao patamar normal ainda este ano. A situação só iria se normalizar com um novo ciclo produtivo, o que ocorrerá somente na safra seguinte, em 2009. Contudo, para piorar o quadro, a produção prevista para o próximo ano será menor que a aguardada para a safra atual. “O Brasil deverá produzir, em 2008, algo entre 44 milhões e 48 milhões de sacas. Em 2009, irá ficar entre 38 milhões e 40 milhões. Essa queda já é esperada, pois essa cultura, quando apresenta uma boa produção em um certo período, acaba não conseguindo se recuperar a tempo de manter o mesmo desempenho na época seguinte”, esclarece.
A Bahia, que deverá produzir cerca de 2,7 milhões de sacas no exercício atual, também irá colher menos na próxima safra. Enquanto isso, o consumo no país, que já é o segundo maior do mundo – crescendo ao ritmo de um milhão de sacas por ano –, encaminha para ultrapassar, daqui a três anos, o volume hoje consumido nos Estados Unidos (19 milhões de sacas).