Escassez de chuva no Sul prejudica colheita de fumo

27/02/2008

Escassez de chuva no Sul prejudica colheita de fumo

 

Estiagem prolongada no Sul do País pode causar uma queda de 3,5% na safra de fumo deste ano, cuja colheita está em andamento. A previsão inicial era de que fossem colhidas 703 mil toneladas do produto, mas com a quebra o volume da produção deve cair para 678 mil toneladas. A comercialização da atual safra já chega a 20% nas principais regiões produtoras do Brasil. Segundo fontes do setor fumageiro, o problema não deve afetar o fornecimento do produto no mercado interno. O pico da colheita ocorre no início de março. Cerca de 85% da produção será embarcada para a União Européia.
De acordo com informações do Sindicato da Indústria do Fumo, 50% da produção está concentrada no Rio Grande do Sul. Enquanto Santa Catarina e Paraná vêm logo em seguida com 33% e 17%, respectivamente. O setor ainda vive a ressaca de 2007, ano em que foi alcançado um crescimento de 25% no volume das exportações em relação ao período anterior, com uma marca de 700 mil toneladas e um faturamento de US$ 2,2 bilhões. Além do clima, a queda do dólar poderá gerar uma perda de 15% a 20% na receita das exportações.
Para Iro Schünke, presidente do Sindifumo, "mesmo com a pequena quebra na safra, a qualidade do fumo esse ano será superior a do ano passado". Ele disse ainda que o produto brasileiro é reconhecido pela alta qualidade e pela baixa concentração de resíduos em sua composição. "Atualmente somos o maior exportador do mundo. Mas ainda perdemos em produção para a China, que no ano passado colheu 2 milhões de toneladas", revela. "No entanto, eles consomem a maior parte disso".
Para Paulo Vicente Ogleari, coordenador geral da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), os insumos e adubos diferentes dos utilizados no ano passado foram essenciais para uma melhora na qualidade. Mas diz também que esse foi um dos motivos que teriam favorecido a queda na produção. "As empresas solicitaram a mudança na formulação para obter fumo com menos nicotina e qualidade superior. E isso colaborou para essa queda", diz.
Ogleari disse ainda que a seca que os agricultores estão enfrentando pode prejudicar o pico da colheita, que começa no mês que vem. "Os produtores não podem colher toda a lavoura pois não tem espaço nas estufas para estocar".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Roberto Tenório)