Demanda firme mantém trigo nas alturas
O temor com o abastecimento mundial de trigo continua a nortear o avanço do preço da commodity nos mercados futuros. As projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontam estoques finais do cereal de 110 milhões de toneladas e uma relação entre estoque e consumo de 17%, o menor nível já registrado.
Ontem, os contratos com vencimento em maio voltaram a fechar em forte alta em Kansas e Chicago sob o impacto do anúncio feito pelo USDA de exportações de 400 mil toneladas para o Iraque, com entrega até o fim do primeiro semestre. Em Chicago, os papéis para maio avançaram 35,50 centavos de dólar, a US$ 12,50 por bushel. Em Kansas, os contratos que vencem em maio subiram 43 centavos de dólar, a US$ 13,08 o bushel.
"Os preços devem continuar pressionados pelo menos até o fim de maio, quando serão anunciadas as primeiras projeções para a próxima safra mundial", diz Elcio Bento, analista da Safras & Mercado. "A tendência é de que os preços mantenham-se acima da média dos últimos anos". A estimativa prévia do Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês), apresentada em 24 de janeiro, é de que a próxima safra registrará produção de 642 milhões de toneladas. Para a safra 2007/08, a estimativa é de 603 milhões de toneladas de trigo.
A alta do preço da commodity foi registrada nos contratos de vencimento mais curto. Em um ajuste técnico, afirma Bento, os contratos mais longos recuaram. Os papéis para setembro caíram 11 centavos de dólar em Chicago, para US$ 11,30 o bushel.
As altas generalizadas dos preços das principais commodities agrícolas podem incentivar o aumento do plantio, o que puxou as baixas de milho e soja - essa perspectiva chegou a levar o trigo, durante o dia, ao seu limite de baixa, de US$ 1,35. Em Chicago, os contratos de milho para maio recuaram 6 centavos de dólar, a US$ 5,38 o bushel. Os papéis de soja também para maio caíram 9 cents, para US$ 14,7525 por bushel.