Mercado externo segue fechado para pecuária baiana
Apesar de não registrar casos de febre aftosa há 11 anos, estado ainda não tem frigoríficos com os padrões exigidos
Apesar de livre da febre aftosa há quase 11 anos, e ter excedente de produção em relação ao consumo interno, a Bahia não exporta para o mercado internacional por uma deficiência histórica: a falta de frigoríficos com os padrões exigidos pelo mercado externo. O que está mais perto de atingir essa façanha é o Bertin, que ocupa uma área construída de 10.500m2 no município de Itapetinga e já está identificado pela Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) como empresa “potencial exportadora”. Mas, para isso, precisa dobrar a capacidade atual de abate, de 300 cabeças por dia, o que pode acontecer ainda este ano.
O poderoso Grupo Bertin, que atua em várias áreas, já iniciou até a construção de um curtume na região, indicando que finalmente o cronograma de exportação deve decolar. Por enquanto, o frigorífico baiano abastece o mercado interno e exporta para os estados do Nordeste e o Rio de Janeiro. A Bahia tem o 7º maior rebanho brasileiro, com 11,25 milhões de cabeças, aproximando-se do de São Paulo, o 6º colocado no ranking.
A falta de frigoríficos é um dos gargalos que a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) pretende ver resolvidos o quanto antes. Segundo o presidente João Martins, a qualidade da carne bovina baiana é excelente e não fica devendo à de nenhum outro estado. Por ano, cerca de 2,4 milhões de animais são destinados ao abate, para um consumo estimado em 1,89 milhão. Um excedente calculado em 510 mil cabeças. “Nosso consumo interno é de 41kg per capta”, diz Martins, que reivindica do governo estadual a instalação de uma câmara setorial do agronegócio carne, com o objetivo de discutir a estruturação de toda a cadeia produtiva e definir estratégias para alavancar o setor.
“Só assim conseguiremos condições que remunerem melhor o produtor e alcance a grande meta da Bahia que é exportar seus produtos”, defende, observando que o governo estadual já iniciou os entendimentos para agilizar a criação da câmara setorial. Pessimista quanto às chances do estado começar a exportar em curto ou médio prazo, João Martins argumenta que as exigências impostas pelo mercado europeu dificultam ainda mais esse processo.
Para o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Altair Santana, o estado já pode começar a exportar para países da chamada lista geral, que impõem menos exigências, a exemplo de Angola, Venezuela, Paraguai e China. Afinal. Segundo ele, do ponto de vista sanitário, a Bahia já tem autorização para exportar tanto do Ministério da Agricultura quanto da Organização Mundial de Saúde Animal.
O governo estadual, segundo ele, planeja estimular a vinda de frigoríficos de outros estados, que já exportam, para inserir a Bahia no rol dos exportadores de carne.