Quantidade de carne é insuficiente em Minas
A disputa em Minas Gerais por boi rastreado de fazendas habilitadas pela União Européia deve ser acirrada. Das 106 propriedades autorizadas a vender para frigoríficos exportadores, 87 encontram-se no estado. Entre as principais indústrias, Bertin, Independência e JBS têm unidades no estado. Teoricamente, a unidade "mais abastecida" seria a do Bertin, de Ituiutaba, onde oito fazendas foram habilitadas - foi o município com a maior quantidade. No entanto, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado, em média, as fazendas têm 600 animais, número insuficiente para abastecer um frigorífico, já que o abate anual é de 25% do total.
Pelos cálculos do diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, o abate anual não irá somar nem 10 toneladas, em uma fazenda de 300 animais. "Não abastece nem uma lanchonete", afirma.
Localizado em Araguari, onde existem cinco fazendas habilitadas, o Mataboi reconhece que poderá não ter animais suficientes. "A concorrência pode adquirir esse gado para exportar", diz Cláudio de Castro, porta-voz da empresa. Cerca de um terço do abate é destinado à União Européia. Castro acredita que por serem poucas fazendas, com poucos animais - em média na região são 350 bovinos por propriedade - o preço do boi vai inflacionar. Até ontem, estava estável: R$ 68 a arroba.
O diretor-comercial do Independência, André Skirmunt, acredita que a unidade está "bem posicionada geograficamente", em Janaúba, A planta tem capacidade de abate de 1,2 mil animais por dia. Em nota, a JBS afirmou que mais de 93% das fazendas estão em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, onde a empresa tem forte presença, "podendo originar gado para reiniciar as suas exportações de carne in natura para a Europa através do Brasil".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Neila Baldi)