Campanha contra aftosa visa imunizar 100% do rebanho
O acesso da carne bovina brasileira aos países da União Européia (UE) poderá ser garantido pelo varejo. A avaliação é do presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação Nacional Agropecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. Ele explica que a tendência no mercado europeu, com as restrições à importação do produto brasileiro, é a de que os preços subam para o consumidor na Europa, algo que já estaria acontecendo. A situação poderia gerar uma pressão pela volta das importações da carne do Brasil, tendo em vista que o País é o maior produtor de carne bovina do mundo.
Enquanto o apelo do consumidor europeu não vem, apenas 106 fazendas brasileiras estão autorizadas a exportar, diante de um total de 8,7 mil anteriormente credenciadas para vendas externas.
Nogueira esteve em Salvador, ontem, para o lançamento da 1ª Etapa da Campanha de Vacinação Contra a Febre Aftosa na Bahia. A meta da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), vinculada à Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri), é imunizar 100% dos rebanhos de bovinos e bubalinos, estimados em pelo menos 11,27 milhões de cabeças.
Na primeira etapa da campanha deste ano, a Bahia tem duas responsabilidades: manter a certificação de zona livre da doença (título que detém há 10 anos) e superar o índice vacinal de 97% registrado no ano passado, o que já foi um recorde.
VACINAÇÃO – A campanha vai até o dia 31 de março, no contexto da expectativa por assegurar o acesso aos mercados internacionais.
A Bahia ainda engatinha quando o assunto é exportação de carne. Os produtores locais estão autorizados a exportar para todo o globo, mas ainda longe do mercado mais ambicionado: a União Européia. Enquanto os produtores possuem as credenciais para as vendas externas, os frigoríficos locais não têm o documento, o que torna as credenciais, na prática, letra morta.
O cerco ao vírus da aftosa ainda poderá ser estratégico para a economia baiana. O mercado interno e os importadores estrangeiros exigem certificado de zona livre da aftosa para a importação de produtos agrícolas, como grãos e frutas. “Isso porque o vírus da aftosa pode ser transmitido pelos vegetais”, explica Nogueira, da CNA.
O presidente da ABCC, associação que agrega, além de criadores de cavalos, produtores de carne bovina e bubalina na Bahia, Oscar Villas Boas, avalia que o grande desafio é conscientizar o pequeno produtor quanto à importância da vacinação. Ele explica que o vírus pode se propagar por um raio de até 20 quilômetros, transmitido pelo vento.
Ou seja, além de cuidar do seu rebanho, o produtor rural deve prestar atenção ao do vizinho. A Adab informa que, além da campanha de vacinação, a fiscalização do trânsito de animais no Estado será intensificada. São 41 barreiras fixas e móveis, distribuídas em todo o território baiano.
A Adab ainda fiscalizará as revendedoras de vacinas – aproximadamente 680 existentes em território baiano. Os estabelecimentos devem atender às normas corretas que visam garantir a qualidade de estoque do material, sensível ao calor.
Durante a vacinação, uma atenção maior será dispensada aos municípios que apresentaram índice de vacinação inferior a 90% na última etapa (setembro de 2007) e aos criadores inadimplentes – aqueles que não vacinaram seus rebanhos.
A aftosa não é transmissível aos seres humanos. Nos animais de corte, alguns sintomas da doença são febre alta, salivação, cansaço e perda de peso. A doença se manifesta nos rebanhos como o bovino e bubalino.