Aumenta consumo de café de alta qualidade

07/03/2008

Aumenta consumo de café de alta qualidade


 

Seguindo a tendência dos mercados internacionais, o consumo de café de alta qualidade no Brasil cresceu 40% no último ano. O que se percebe é um certo descolamento do perfil social elevado como pré-requisito para o consumo. Com o tempo, os apreciadores passam a buscar uma bebida com preparação mais qualificada. O levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), mostra que, em 2007, o consumo geral no Brasil cresceu 5%. O índice por habitante teve uma evolução de 3,5%, marcando 74 litros consumidos por pessoa.
"O café solúvel é a ponta de lança para o mercado geral. Depois o consumidor acaba migrando para os torrados e moídos, que agregam mais qualidade", explica Mauro Malta, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel. Ele diz que a estratégia do setor é fazer com que o cliente permaneça mais tempo consumindo o solúvel. "Para isso, queremos anexar novos consumidores, com o foco em um perfil mais jovem". O setor também busca o mercado asiático, principalmente a China, "onde o café é associado à modernidade do mundo ocidental".
"O crescimento do café gourmet demonstra um certo desprendimento da imagem de produto de elite de alguns anos atrás. Mas é claro que ainda é segmentado, esclarece Rafael Branco Peres, diretor da Café do Centro. Embora ainda esteja ligado a alta gastronomia, Peres diz que o consumo está cada vez mais acelerado em diferentes regiões de São Paulo, alcançando até outras cidades. De olho no crescimento desse setor - que movimenta cerca de R$ 30 milhões mensais - a empresa planeja crescer 40% neste ano e expandir os negócios para a Ásia. "No Japão já possuímos duas cafeterias, mas esperamos alcançar 100 unidades nos próximos dez anos", prevê Peres.
Super Premium
Oriunda de um mercado cujo o público é mais seleto ainda - denominado pela empresa de super premium-, a Illy Café, tradicional empresa do setor de café espresso, planeja expandir ainda mais seus produtos no mundo e tem o Brasil entre os principais mercados. "A prioridade é a Europa, seguido por Estados Unidos e Ásia. O Brasil vem logo em seguida", disse Andrea Illy, presidente da companhia. Para isso, foram realizadas três joint ventures na Ásia, região onde se planeja 50 lojas em cinco anos. "Em pequenos mercados, como o brasileiro, temos as franquias", explica Illy. "Mas a estratégia continua sendo produzir café com qualidade", complementa. Em 2007, o faturamento da companhia foi de £ 270 milhões.
Hoje, será realizado o 17º Prêmio Brasil de Qualidade de Café Expresso. Onde concorrem produtores brasileiros que fornecem o grão para a companhia.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Roberto Tenório)