Pescadores presos por usarem bomba no mar
O silêncio da madrugada de ontem, na Praia do Cantagalo (Cidade Baixa) foi interrompido pelo estrondo de uma bomba de pesca, a cerca de 150 metros da costa, na Baía de Todos os Santos. Os responsáveis, Vivaldo da Hora Gomes Filho, 45 anos, e Anísio Silvestre Queiroz Filho, 40, foram presos por uma equipe de policiais civis da Coordenação de Produtos Controlados, na Operação Carapeba, contra a pesca predatória.
Com eles foram achadas três bombas, prontas para detonação.
Um terceiro envolvido, identificado por moradores como Marcos da Guerra, conseguiu escapar.
Os acusados foram levados para a Delegacia do Bonfim (3ª CP), onde foram autuados por crime de pesca com uso de explosivos (pena de 1 a 5 anos).
Equipe do Centro de Recursos Ambientais (CRA) acompanhou tudo.
Foram apreendidos materiais, como máscaras e pés-de-pato. Os peixes mortos pela dupla – total de 50 kg de tainhas – foram recolhidos e uma parte será destinada a instituições de caridade. Anísio negou envolvimento, mas Vivaldo admitiu as detonações. Ambos, segundo o delegado Miguel Cicerelli, são reincidentes: “Anísio estava em liberdade provisória, pois já foi condenado pelo mesmo crime”.
A bióloga Carla Ribeiro, coordenadora de fiscalização ambiental e atendimento emergencial do CRA, disse que as detonações provocam desequilíbrio na cadeia alimentar: “A destruição não atinge somente os peixes, mas microorganismos que os alimentam. Assim, os peixes migram para outras áreas e a tentativa de se adaptar ao novo ambiente causa desequilíbrio no ecossistema”.