Vinhos feitos na Bahia chegam ao Japão

12/03/2008

Vinhos feitos na Bahia chegam ao Japão 
  
  

O baiano ainda não tem tradição como consumidor de vinhos, mas o estado, mais precisamente o vale do São Francisco, está se consolidando como produtor e marcas locais já chegam a exigentes mercados internacionais, como os da França, República Checa, Alemanha e Estados Unidos. O próximo desafio é conquistar o consumidor japonês, que parece ter descoberto a paixão pela bebida nos últimos anos. E um passo importante nesse sentido é a presença dos vinhos e espumantes da linha Terranova, produzida pela Miolo na Fazenda Ouro Verde, no município baiano de Casa Nova, no estande brasileiro da Foodex Japan 2008, maior feira de alimentos da Ásia. O evento começou ontem e prossegue até sexta-feira na cidade japonesa de Chiba.

Os vinhos baianos representam 10% das exportações da Miolo, devendo saltar para 30% até 2012. O plano de expansão da empresa gaúcha, com sede em Bento Gonçalves, prevê a ampliação da produção da Ouro Verde, que hoje supera 1,5 milhão de litros, para 7,5 milhões, com um vinhedo de 400 hectares. Entre os vinhos que a Miolo levará para o Japão estão os tintos baianos Shiraz e Cabernet Sauvignon Shiraz.

“Queremos apresentar o nosso produto, conhecer melhor o mercado japonês e entender os hábitos de consumo, para saber quais vinhos são mais utilizados e quando, para então nos ajustarmos às suas demandas, diz Carlos Eduardo Nogueira, diretor de Relações Internacionais da Miolo. Ele observa que o mercado japonês é muito exigente e que por isso mesmo a Miolo levará para a feira as linhas premium e superpremium, “de alta qualidade e com preços competitivos”. Dos R$90 milhões que a vinícola investiu nos últimos oito anos nas sete unidades produtoras, R$20 milhões foram direcionados ao projeto Ouro Verde, uma parceria com a vinícola Lavoro, também gaúcha.

Nos últimos cinco anos as exportações brasileiras de vinhos cresceram mais de cinco vezes, saltando de US$772 mil para US$4 milhões. Só a Miolo já exporta para 20 países. Mais da metade das vendas para o mercado externo foram concretizadas por empresas ligadas ao projeto Wine From Brasil, uma parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) com o Instituto Brasileiro de Vinhos (Ibravin), inicada em 2004 e que já conta com 25 fábricas nos estados da Bahia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Mercado tem grande potencial

Segunda maior economia do mundo, o Japão é potencial consumidor de produtos alimentícios e o Brasil um dos seus principais fornecedores, sobretudo de café, carne de ave, suco de laranja e outros produtos orgânicos. Em 2007 os japoneses importaram US$4,3 bilhões do Brasil, quase 11% a mais que no ano anterior. Para explorar ainda mais esse mercado, a Apex-Brasil levará cerca de 25 empresas nacionais do setor para participar da Foodex Japan 2008.

“Os diferenciais que o Brasil oferece são os produtos orgânicos, saudáveis, com qualidade e preços acessíveis”, frisa o gerente técnico da Apex, Rogério Bellini, ressaltando que o mercado japonês é altamente exigente, impondo muitas restrições, sobretudo do pontode vista sanitário.

O Brasil, segundo ele, é o principal fornecedor de café para o Japão, concentrando quase 30% das importações, e um dos cinco que mais fornecem produtos orgânicos, incluindo chás, sucos, frutas e verduras, cachaça, mel e própolis. Entre os produtos que serão expostos no estande do Brasil estão os vinhos e espumantes nacionais, para aproveitar o aumento constante da demanda por parte dos japoneses.