Renda agrícola das principais lavouras deve somar R$ 143 bi
O Ministério da Agricultura voltou a corrigir para cima sua projeção para a renda agrícola ("da porteira para dentro") dos 20 principais produtos agrícolas cultivados no Brasil em 2008. A partir das últimas previsões de Conab e IBGE para a atual safra de grãos (2007/08) e com a persistente alta de commodities como soja e milho no mercado internacional, a receita conjunta passou a ser estimada em R$ 143,028 bilhões, montante 1,42% superior ao previsto em fevereiro para este ano (R$ 141,025 bilhões) e 14,4% mais que em 2007 (R$ 125,076 bilhões).
Se confirmada, a receita será recorde. Nas contas de José Garcia Gasques, coordenador de planejamento estratégico do ministério, o maior patamar alcançado até agora foi em 2003 (R$ 133,871 bilhões). Os valores são deflacionados pelo IGP-DI da FGV. Maior responsável pelo recorde de cinco anos atrás, quando gerou renda de R$ 42,179 bilhões, a soja também puxa o salto de 2008. A receita projetada para o grão em 2008 é de R$ 38,654 bilhões, 23,1% acima de 2007 e segunda melhor marca histórica.
As mais recentes previsões de Gasques consolidam o milho como segundo produto agrícola de maior renda no país. O valor previsto para este ano chega a R$ 25,377 bilhões, 38,6% superior ao de 2007 e inferior apenas ao de 2003 (R$ 20,161 bilhões). Com isso, a cana cai para a terceira posição. Com preços de açúcar e álcool menos atraentes, a receita oriunda dos canaviais deverá recuar para R$ 17,768 bilhões, ante o recorde de R$ 20,302 bilhões do ano passado.
O comportamento da renda por produto se reflete também em sua divisão regional. Celeiros de grãos, as taxas de aumentos estimados para as regiões Sul e Centro-Oeste superam o incremento previsto para o Sudeste - que abriga, em São Paulo, o maior pólo sucroalcooleiro do mundo.