Estoque menor faz trigo disparar
O trigo foi a commodity agrícola que mais sofreu impacto ontem da divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). A redução das estimativas dos estoques finais americanos deixou o mercado nervoso e o cereal subiu 5,15% ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato de maio fechou em 1223,00 centavos de dólar por bushel (27,215 quilos). "A relação entre oferta e demanda está muito apertada no caso do trigo. Portanto, qualquer alteração, redunda em forte impacto nas cotações", avalia Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. Para a soja, o Usda também recuou estoques finais nos Estados Unidos, que continuam sendo os mais baixos dos últimos quatro anos.
O recuo dos estoques americanos de trigo - de 7,40 milhões de toneladas na estimativa de fevereiro para 6,58 milhões na deste mês - tem relação direta com a projeção de aumento das exportações do cereal. O Usda prevê alta de 2% nas exportações de trigo pelos americanos, que vão sair de 32,66 milhões de toneladas para 33,34 milhões de toneladas.
No ano passado, os estoques finais nos Estados Unidos foram de 12,41 milhões de toneladas, 88% maior do que o estimado para 31 de maio deste ano. "A demanda mundial tem sido muito forte", disse Jon Marcus, presidente da Lakefront Futures and Options LLC de Chicago à Bloomberg.
Soja
O conservadorismo do Usda em relação aos números da soja fez o mercado dessa commodity se manter praticamente estável com o contrato de maio fechando em 1.407,75 centavos (+ 0,088%) de dólar por bushel em Chicago. O Usda voltou a reduzir a projeção de estoques americanos da oleaginosa que, assim como em fevereiro, continuam sendo os menores da história. De 4,35 milhões, o volume recuou para 3,81 milhões, menos 12,4%.
Mas, David Gonçalves, analista de gerenciamento de risco da FCStone, conta que o mercado enxerga que essa redução dos estoques de soja nos Estados Unidos serão menores do que o Usda está prevendo. "O mercado espera que esses estoques estejam abaixo de 3,5 milhões de toneladas ao final de agosto", diz Gonçalves.
O mercado também avalia que o departamento americano está subestimando a demanda mundial por soja, sobretudo a da China. Em relação ao relatório de fevereiro, o Usda aumentou em apenas 1 milhão a demanda mundial - de 235 milhões de toneladas para 236 milhões de toneladas. "Há analistas falando que a demanda da China, por exemplo, estimada em 35 milhões de toneladas pelo Usda, seja, na realidade, de 5 milhões de toneladas superior", conta Gonçalves.
Para o milho, o relatório do Usda trouxe um aumento dos estoques mundiais de 2,15 milhões, resultado de uma estimativa de produção maior no Brasil, de 50 milhões para 53 milhões de toneladas. Para o mercado americano o Usda não trouxe nenhuma novidade. O contrato de março fechou na CBOT em 564 centavos de dólar por bushel, alta de 1,5% ante os 555,50 do dia anterior.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Fabiana Batista)