Sudoeste perde elite de plantel dos rebanhos caprino e ovino

17/03/2008

Sudoeste perde elite de plantel dos rebanhos caprino e ovino

 

A elite do plantel caprino e ovino da Bahia está migrando para terras do Sudeste do País e um dos motivos é a falta de mercado interno, aliada à ausência de incentivos governamentais e carência de frigoríficos nas principais regiões produtoras. Estimase que, nos últimos anos, mais de um milhão de exemplares, incluindo alguns dos melhores reprodutores baianos, foi parar em São Paulo e norte de Minas Gerais.

Parte do rebanho foi adquirida em Vitória da Conquista, Jequié, Boa Nova, Encruzilhada, Itapetinga e Tanhaçu, municípios do sudoeste e com área jurisdicionada em torno de outras cem pequenas cidades. “Do jeito que a coisa está indo, quando quisermos um bom reprodutor para a Bahia, teremos que ir buscar um dos nossos que foram para fora do Estado”, acredita o criador Gilvan Alves.

Com experiência de 12 anos na criação de caprinos Anglo Nubianos e 17 na de ovinos Santa Inês, Alves viu de perto o avanço dos criadores do Sudeste e de outras regiões do País durante a 5ª Feira Internacional de Caprinos e Ovinos (Feinco), realizada de 11 a 15 deste no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

“São quase quatro mil animais.

Acredito que nós, do Nordeste, não temos condições de realizar ou sediar um evento desse porte, mas eles tiveram esta visão e apostam no setor que mais cresce na pecuária brasileira”.

REBANHO – A criação de ovinos e caprinos no Brasil vem se desenvolvendo em larga escala. O Brasil já é o oitavo maior criador de caprinos e ovinos no mundo, com rebanho superior a 30 milhões de cabeças.

São 20 diferentes raças, dentre elas Santa Inês, Ile de France, Suffolk, Merino Australiano, Bergamácia, Rommey Marsh, Border Leicester, Lacaune, Karakul, Texel, Dorper, Poll Dorset, Hampshire Down, Crioula, Bôer, Saanen, Alpina, Toggenburg, dentre outras, em área de cerca de 22 mil metros quadrados.

Para esta edição, foram esperados mais de 25 mil visitantes, do Brasil e do exterior.

O público participante da Feinco foi composto por criadores, profissionais da indústria e do varejo e estudantes. Entre os espaços de destaque, a Cozinha Interativa foi uma vitrine gastronômica dentro da feira.

Faltam incentivos para produção

Os criadores de ovinos da raça Santa Inês Luiz Alves Dias e Vilton Laudelino Silva, presentes na Expoconquista, reclamam da falta de incentivos para a atividade e cobram a construção de frigorífico para atender ao mercado consumidor.

Só existem dois frigoríficos que atendem à região, conforme relato dos criadores. “O de Feira está distante 400 km de nós e não é compensador se deslocar daqui para fazer o abate lá”, diz Luiz Alves Dias.

O de Jequié, embora perto do centro distribuidor, a pouco mais de 100 km, não tem condições de suprir a procura e está quase fechando.

A região de Conquista, terceiro maior centro da Bahia, tem propostas engavetadas, para construção de frigoríficos para animais de pequeno porte, e o próprio frigorífico municipal, cujo projeto original de R$ 100 milhões inclui este serviço, jamais atendeu aos requisitos.

As distâncias e o alto custo do frete também encarecem o produto final. “Não temos um escoamento necessário para a nossa atividade.

O mercado é tudo para o criador e, quando ele não existe, ficamos em dificuldade”, completa.

“Nosso maior entrave é a dificuldade no escoamento da mercadoria, principalmente dos animais de descarte e borregos para abate, já que não temos frigorífico na região”, intervém Vilton Laudelino Silva, de Poções.

“O ideal seria em Conquista, que abrange a região da mata e do sertão”, sugere. Enquanto isso não é posto em prática, a saída é vender diretamente para o pequeno abatedor. O quilo da carcaça fica em torno de R$ 4,50 para os açougueiros, enquanto que o frigorífico de Feira de Santana paga até R$ 102 a arroba ou R$ 7 o quilo.

“Muita gente está desistindo da atividade porque os açougueiros não têm condições de abater todos os animais disponíveis”, frisa Silva.

A capacidade semanal de abate é de até 100 animais para as feiras livres. Um frigorífico abate em torno de 130 animais por dia. (J.S.)