Risco nas fronteiras preocupa governo
A situação da saúde animal no Brasil está longe do ideal e as regiões de fronteira, sobretudo com a Bolívia, significam riscos adicionais "extremamente preocupantes" aos pecuaristas brasileiros, afirmou ontem o diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Jamil Gomes de Souza, em reunião com 20 secretários estaduais de Agricultura. "Se dependesse da saúde animal, estaríamos mais distantes de um final para o caso com a UE", disse. E pediu auxílio dos dirigentes para reforçar os controles na fronteira com a Bolívia.
Representante brasileiro na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), Gomes de Souza anunciou a visita de uma nova missão da UE ao país em maio deste ano para fazer um "pente fino" no sistema de defesa agropecuária nacional. E avisou que a "guerra da carne" com a UE tem dificultado avanços em questões sanitárias. "Há links muito fortes entre a questão com a União Européia e a demora da OIE [em avaliar pedidos do Brasil] porque técnicos do grupo 'ad hoc' [da OIE] fizeram parte da missão da Europa", declarou.
Em 29 e 30 de abril, um grupo "ad hoc" da OIE deve avaliar o pedido do Brasil para restabelecer a zona livre de dois circuitos pecuários. O grupo fará uma avaliação, pelo chamado "fast track" segundo ele, das medidas adotadas em Mato Grosso do Sul e Paraná após a descoberta de focos de febre aftosa nessas regiões. O reconhecimento pela OIE como área livre da doença deve beneficiar produtores e industriais do Paraná, São Paulo, Minas, Goiás e Distrito Federal, além de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Alagoas, Sergipe, Rio e Espírito Santo. (MZ)