MS quer mudança de circuito pecuário

27/03/2008

MS quer mudança de circuito pecuário


 

Às vésperas da análise do pedido brasileiro de recuperação de antigas áreas livres de febre aftosa na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Mato Grosso do Sul ameaça abrir um contencioso com os maiores Estados exportadores de carne bovina do país. 

O governador André Puccinelli (PMDB), acompanhado por deputados e senadores de Mato Grosso do Sul, pediu ontem ao Ministério da Agricultura a transferência do Estado, atingido pela aftosa em 2005, do chamado Circuito Pecuário Leste para o Centro-Oeste, que inclui os Estados mais "avançados". 

Nos bastidores, o temor é de que Mato Grosso do Sul "fique para trás" em caso de a OIE rejeitar o restabelecimento do status sanitário do circuito Leste, composto por Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe e Tocantins. O circuito Centro-Oeste inclui São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Goiás. "Devemos figurar no circuito Centro-Oeste, até por questões geográficas óbvias", afirma o deputado Waldemir Moka (PMDB). 

Os pecuaristas e frigoríficos situados em Mato Grosso do Sul poderiam perder ainda mais dinheiro se não aproveitar a reunião do grupo da OIE que avaliará a retomada do status dos dois circuitos no fim de abril. O ministério, porém, rejeita a tese. "As chances são iguais para os dois circuitos", diz o diretor de Saúde Animal, Jamil Gomes de Souza. "A transferência [do Leste para o Centro-Oeste] pode ser feita depois. Nada impede isso". As secretarias de São Paulo, Goiás, Paraná e Mato Grosso prometem agir para evitar "ruídos" num momento delicado para a análise do pedido na OIE.