Regiões produtoras de banana avaliam variedades resistentes a doenças

03/04/2008

Regiões produtoras de banana avaliam variedades resistentes a doenças


Segundo maior produtor de banana do país, o estado da Bahia, hoje com 57 mil hectares cultivados, produz anualmente mais de 1 milhão de toneladas da fruta.

Embora sejam adotadas técnicas de cultivo avançadas em algumas regiões, particularmente em perímetros irrigados, como no Médio São Francisco, o cultivo estadual ainda se caracteriza pelo baixo nível tecnológico, resultando em baixa produtividade e baixa qualidade dos frutos, influenciando diretamente na comercialização e no valor da produção.

Para reverter esse quadro, o Governo do Estado vem realizando pesquisas através da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).

Cuidados – Foram implantadas 12 Unidades de Avaliação de Bananas Resistentes à Sigatoka-Negra, doença da bananeira que vem dizimando pomares localizados nas principais regiões produtoras do mundo.

"Já tive o campo todo perdido por causa de pragas e, agora, estou entusiasmado com a possibilidade de obter novas variedades resistentes, principalmente, à Sigatoka-negra e à amarela", disse o agricultor Jardel Novais Xavier, 40 anos, da Fazenda Rio do Meio, em Barra do Choça.


Resultado promissor em Barra do Choça


Na unidade da Estação Experimental de Barra do Choça, os resultados são promissores.

Das 18 variedades avaliadas, a Japira (PV 42 142), PV 79-34 e FHIA 18 destacam-se pelo vigor das plantas, pela resistência às principais doenças presentes na região – Sigatoka-amarela e mal-do-Panamá –, produtividade, qualidade do fruto e propriedades organolépticas (sabor, cheiro etc.).

As variedades foram selecionadas e indicadas pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, localizada no município de Cruz das Almas, que realizou os estudos básicos de resistência às principais doenças e demais características de interesse agronômico e econômico para o cultivo da bananeira.

"Com a nossa avaliação, em nível regional, estamos confirmando a viabilidade técnica e econômica do plantio de novas variedades. Os interessados podem se dirigir à própria Embrapa, que dispõe de uma biofábrica para a produção de mudas certificadas", assegurou o engenheiro agrônomo da EBDA e pesquisador responsável pelo experimento, em Barra do Choça, Gilberto Santana Carvalho.

Exame completo - Na avaliação de desempenho dessas variedades, para a região do Planalto de Conquista, foram considerados a altura da planta, diâmetro do pseudocaule, número de filhos, número de folhas vivas na floração e na colheita, peso do cacho, número de pencas e de frutos, peso de pencas, peso médio, comprimento e diâmetro dos frutos e avaliação de Sigatoka.

Além dessas atividades, foram realizados testes de degustação em Barra do Choça e Vitória da Conquista, envolvendo todos os segmentos interessados na cadeia produtiva da bananeira.

Foram avaliados cheiro, consistência e sabor. "O resultado dessa consulta direta, produção-comercialização-consumo, foi altamente positivo com a recomendação das variedades citadas", afirmou Gilberto.


Unidades experimentais


Para a implantação de cada unidade experimental foram indicadas 15 variedades, todas consideradas geneticamente resistentes ou tolerantes à Sigatoka-negra e Sigatoka-amarela.

Outras três variedades – Grande-naine, Prata-anã e Pacovan – foram utilizadas no experimento como testemunhas, devido a sua alta susceptibilidade a essas duas principais doenças que afetam o cultivo na Bahia.

Semelhança – As características das variedades resistentes são muito semelhantes às variedades tradicionalmente plantadas, inclusive quanto ao sabor, porém com vantagens, como alta produtividade e excelente qualidade dos frutos.

Este projeto é uma parceria entre a EBDA, Embrapa Mandioca e Fruticultura, Campo Biotecnologia Vegetal Ltda. e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).