Produtividade da cana será até 8% menor

03/04/2008

Produtividade da cana será até 8% menor


 

A estiagem e o menor uso de tecnologia no trato dos canaviais vai reduzir a produtividade da cana-de-açúcar na safra 2008/09 no Centro-Sul do País. A maior queda ocorre no Oeste de São Paulo: até 8%. No Paraná e em Minas Gerais a colheita média por hectare também será inferior à do ano passado. É a segunda colheita seguida com rendimento menor.
Apesar de parecer negativa às usinas, a redução na produtividade pode ajudar a equilibrar o mercado, segundo José Carlos Toledo, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop).
Levantamento do Instituto Agronômico (IAC) aponta que no início da safra a produtividade da cana por hectare está 5,4% menor que em igual período do ano passado, quando a produtividade foi 8% inferior ao ciclo 2006/07. O estudo do instituto não inclui o percentual de açúcar por tonelada de cana. O pesquisador do Programa Cana IAC, Maximiliano Scarpari, explica que o cenário se deve à redução dos índices de chuva entre os meses de agosto e novembro e à baixa insolação no final do ano. "Mas trata-se de um levantamento referente ao início da safra. As condições climáticas do meio do ano é que serão determinantes para a produtividade do ciclo 2008/09", esclarece Scarpari.
No Oeste de São Paulo o problema deve refletir em uma produção final entre 7% e 8% menor. Além de questões climáticas, Toledo aponta o menor uso de adubação como outro fator que explica o menor desempenho do canavial. "Temos que considerar que o preço da cana está muito baixo, o que desestimulou o investimento dos plantadores, que representam 30% do fornecimento da região", diz.
No Paraná, a situação atinge também a cana já madura, que sobrou da safra passada, conforme explica Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcoopar). Ele conta que a sobra de 2,5 milhões de toneladas "deitou" e rebrotou, deixando a cana porosa e, consequentemente, com menor rendimento. "Não está dando 100 quilos de açúcar por hectare, quando a média é 146 quilos", conta.
A cana nova que será colhida a partir da segunda quinzena de abril também não sinaliza boa maturação, mas o que é normal, segundo ele. "Como temos que concluir a safra em novembro - quando as chuvas iniciam sem trégua no Paraná - antecipamos sempre a safra, mesmo com o ônus de colher cana fora do ponto", explica o executivo. Assim, espera-se um rendimento de 135 quilos de açúcar por hectare no início da safra e, a partir de agosto, uma evolução para até 160 quilos. Na média, a produtividade esperada para a safra é de 144 quilos por hectare, dois quilos abaixo do ciclo 2007/08. O Paraná tem 15 usinas em operação nesta safra, de um total de 30. A previsão é de uma moagem de 46 milhões de toneladas, com um mix distribuído igualmente entre açúcar e álcool.
Luiz Custódio Cotta Martins, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar de Minas Gerais (Sindaçúcar-MG), afirma que também haverá quebra de safra no estado por conta da seca no ano passado. No entanto, o sindicato não tem ainda estimado o percentual. "No final das contas, a produção vai subir muito. Serão seis novas usinas. A estimativa é moer 43 milhões de toneladas, ante as 29,5 milhões da safra passada", afirma.
Mário Silveira, analista de gerenciamento de risco da FCStone, acredita que as usinas vão iniciar a safra, mesmo que a cana não esteja bem desenvolvida. "A competição por mão-de-obra está muito forte. Não dá para aguardar a maturação para contratar pessoas. Talvez, as usinas comecem com cana de qualidade inferior". Mas, apesar das intempéries do clima, a produção será muito grande. "Todo ano se escuta que o clima não foi bom e no fim a produção é boa", acredita.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista)