Frutas representam apenas 2% das exportações baianas

04/04/2008

Frutas representam apenas 2% das exportações baianas

Apesar de ser o maior estado produtor da região Nordeste, Bahia ocupa a terceira posição entre os exportadores
  

A Bahia ocupa a 3ª posição nas exportações brasileiras de frutas in natura, com 14,5% do total, perdendo para o Ceará e o Rio Grande do Norte. Apesar de parecer uma boa colocação, o ranking não faz justiça à produção baiana, que bateu a casa dos 5,2 milhões de toneladas. O estado é líder em fruticultura no Nordeste e ostenta algumas lideranças nacionais como a de produção de banana, manga, uva e mamão. As exportações representam apenas 2% da pauta estadual – em 2007 foram 116 mil toneladas, que somaram US$138,2 milhões, 19,7% a mais que em 2006, segundo dados do Promo. O principal gargalo está na falta de organização dos produtores, segundo Cássio Peixoto, diretor de defesa sanitária vegetal da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Uma brecha que tem feito com que o estado perca embarques de frutas baianas para outros, como o Espírito Santo, “que importa nossas frutas e exporta através de grandes empresas com trânsito livre no mercado internacional”.

Ele vislumbra uma mudança positiva de cenário nos próximos dois anos, confiando em investimentos e projetos que começam a dar resultados, voltados tanto para a certificação quanto para a abertura de novos mercados e incremento da produção via associativismo. “O potencial é muito grande e precisamos aproveitar todas as possibilidades”, enfatiza. O PIF – Produção Integrada de Frutas, projeto de certificação lançado pelo governo federal e que teve a adesão imediata do governo local, é uma esperança. “Vai ser a pavimentação da estrada para a exportação”, aposta Cássio Peixoto.

Banana - Outro projeto que justifica o otimismo é o de certificação da banana, que tem como meta elevar a área cultivada no pólo de Bom Jesus da Lapa dos atuais 530ha para 1,5 mil hectares, ampliando as exportações que giram em torno de 240 toneladas ao mês – o estado produz 1,28 milhão de toneladas por mês.

Uma boa notícia, anunciou Peixoto, é que em junho a Bahia deverá iniciar as primeiras remessas de banana para a Argentina, com possibilidade de chegar a 30 mil toneladas/ano. Um novo mercado aberto graças à conquista do status de produto livre da Sigatoca negra e da Bradinothrips musa, atendendo a exigências fitossanitárias do Mercosul. Os técnicos da Adab estão aptos a emitir os laudos que asseguram a certificação da produção.

Há cerca de quatro meses, a banana baiana está chegando também à União Européia. Mas outro grande mercado ainda pouco explorado está na mira dos produtores baianos, o asiático. “O potencial é fantástico. Já exportamos manga para o Japão e acredito muito no sucesso dos negócios com a banana e a uva”, ressalta Cássio Peixoto.

Manga - No caso da manga, as expectativas são ainda maiores, pois, como explicou o diretor da Adab, o estado é pioneiro na implantação de insetos estéreis na lavoura, uma alternativa para controle biológico que reduz drasticamente o uso de defensivos agrícolas. O projeto foi desenvolvido na Biofábrica instalada em Juazeiro, numa parceria entre a Embrapa, Adab e a organização social Moscamed Brasil. O governo estadual cedeu o terreno, avaliado em R$1 milhão, para montagem da base física da Biofábrica. Os projetos pilotos já estão implantados nos pólos de Curaçá e Livramento de Nossa Senhora. Só o Ministério da Agricultura já investiu R$3 milhões, mais cerca de R$2 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Isso vai nos dar um salto quantiqualitativo, porque a estrutura montada é de um centro de excelência”, define o diretor da Adab, frisando que, com pequenas adequações, a Biofábrica vai poder desenvolver pesquisas sobre alternativas de insetos para controle de outras pragas, como a mosca-da-fruta e a sarna da macieira, e até para o controle da dengue. Outra aposta de Peixoto é com relação ao PAC do cacau, que terá desdobramentos positivos também para a cultura da banana, através da agricultura familiar, que concentra 60% da produção.