Reduzido limite da zona-tampão
A redução dos limites da zonatampão, antiga reivindicação dos pecuaristas do oeste do Estado, recebeu sinalização positiva da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado (Seagri), bem como de técnicos do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que percorreram a região endossando a viabilidade do projeto agropecuário.
A zona-tampão é um território que divide áreas supostamente infectadas de áreas livres da febre aftosa. No Estado, oito municípios (que fazem fronteira com Piauí e Pernambuco) integram essa zona que visa proteger o rebanho bovino baiano, que há mais de 10 anos não registra nenhum caso da doença.
Os Estados vizinhos ainda não conquistaram este status, daí a razão da zona-tampão, de acordo com o gerente técnico do escritório de Barreiras da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), médico veterinário João Pacheco. “Caso haja algum foco na área infectada e alguns animais vierem para a área livre, teoricamente eles entrarão primeiro na área considerada tampão.
Então não afetaria de imediato a área livre”, disse, ressaltando que a zona-tampão, por ser de proteção “guarnece a área livre”.
CONTROLE – Para o veterinário João Pacheco, o recuo da zonatampão vai facilitar o trabalho de controle no trânsito de veículos boiadeiros, “porque é muito difícil fiscalizar esse trânsito em divisa seca”. Com o recuo, analisado tecnicamente durante dois anos por especialistas da Adab e do Mapa, a divisa será com os rios Sapão, Preto e São Francisco.
A expectativa é reduzir a área da zona-tampão em 8.731 km², passando de 58.201 km² para 49.470 km². Os municípios beneficiados diretamente com a medida são Formosa do Rio Preto, Santa Rita de Cássia e Mansidão, todos no oeste do Estado.
Na região, o rebanho bovino é de 2,3 milhões de cabeças. Na zonatampão, estima-se que existam 300 mil cabeças. Os demais municípios que integram a zonatampão são: Buritirama, Campo Alegre de Lourdes, Remanso, Casa Nova e Pilão Arcado.
NEGÓCIOS – Além de facilitar a fiscalização, a redução da área da zona-tampão também melhora as condições de comercialização do rebanho bovino localizado na faixa de terra que vai ser anexada à zona livre da febre aftosa com vacinação. A princípio, os bovinos da zona-tampão têm que passar por dois exames de sorologia, bem como duas quarentenas.
Cada um dos exames custa R$ 30 por cabeça.
Os procedimentos devem ser feitos na origem e no destino para que haja certeza de que os animais não estão doentes. Entretanto, com a Normativa 44, de outubro de 2007, houve um relaxamento nessas exigências, se os animais se destinarem para abate em um frigorífico com fiscalização federal ou estadual.
Desde que a zona-tampão foi instalada, várias apreensões de animais oriundos dessa área foram realizadas. “Os animais apreendidos foram sumariamente sacrificados e incinerados, conforme prevê a lei”, afirmou João Pacheco, destacando que o maior episódio ocorreu em Ibotirama, quando, de uma vez, foram apreendidos e sacrificados 115 animais que vinham de uma fazenda do município de Formosa do Rio Preto.
MUDANÇAS – Para implementar a redução da área de zona-tampão, oMapa exigiu que algumas medidas fossem implementadas, como a construção de barreiras fixas em pontos estratégicos, contratação de médicos veterinários, intensificação da cobertura vacinal (que deve ser acompanhada pela fiscalização) e recadastramento de todos os produtores rurais.
Segundo o presidente da Associação dos Criadores do Oeste da Bahia (Acrioeste), Ricardo Simões Barata, até o final do mês, deve acontecer uma reunião emFormosa do Rio Preto “com o secretário Geraldo Simões, repre? Quando foi criada a zona-tampão no Estado? Foi estabelecida em 2001, mesmo ano em que a Bahia foi reconhecida internacionalmente como livre da febre aftosa com vacinação. É formada por oito municípios na divisa da Bahia com Piauí e Pernambuco.
sentantes da Adab, prefeitos e produtores, pois temos que conscientizar os criadores de que eles precisam colaborar”.
A maior dificuldade que os produtores enfrentam com a zonatampão, diz, é a restrição de comercialização. “Além da limitação de mercado e exigências como exames sorológicos e quarentenas, a arroba do boi nessa área é menor”. Ricardo Barata frisou que enquanto no restante da região a arroba é R$ 58,60 (o que já considera baixo), “na zonatampão, não passa de R$ 40”.
DEFESA – A expectativa dos criadores é a possibilidade de o Piauí melhorar a questão sanitária, “como cadastramento de criadores, alto índice de vacinação dos animais, estrutura do sistema de defesa sanitária animal e, assim, conseqüentemente, o Estado mudaria o status sanitário e passaria a ser a zona-tampão”, salientou Ricardo Barata.
“As fazendas que vão sair da zona-tampão serão valorizadas em pelo menos 30%”, afirmou.
“Creio que no oeste baiano, que já tem vocação para a pecuária, o setor vai crescer em cinco anos o que não cresceu em 20”.
Dentre os motivos, disse, está o ingresso de agricultores na pecuária, integrando as duas atividades, e o crescimento da área de cana-de-açúcar em São Paulo para a produção de biocombustíveis, “o que está sufocando a pecuária naquele Estado e atraindo criadores”.