Barreira ao ingresso de fruta do Chile acelera pacto bilateral contra sanções

07/04/2008

Barreira ao ingresso de fruta do Chile acelera pacto bilateral contra sanções

 

A suspensão das compras de frutas chilenas pelo Brasil, que despertou a ira de autoridades do país andino na semana passada, acelerou as conversas bilaterais para um acordo de interrupção mútua de sanções sanitárias. 

Uma proposta, ainda informal, apurou o Valor, seria reabrir o mercado do Chile para suínos e aves do Brasil em troca da retomada das importações de frutas do país andino, interditadas em razão da descoberta de um ácaro perigoso para a fruticultura nacional. Mas o Ministério da Agricultura tem dado prioridade à reabertura do mercado chileno para a carne bovina in natura. 

Fechado desde a descoberta do foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em 2005, o Chile era o quarto maior importador de carne bovina brasileira - quase US$ 200 milhões, atrás de UE, Egito e Rússia. De lá para cá, as compras caíram abaixo de US$ 20 milhões. Na outra mão, as exportações de frutas dos andinos cresceram mais de 30% no período. Por isso, os exportadores nacionais apóiam a estratégia do Ministério da Agricultura. 

Em tensas reuniões na semana passada, funcionários do governo chileno chegaram a exigir uma "retomada imediata" das compras de frutas. Disseram que o mundo todo compra os produtos chilenos, inclusive mercados exigentes como EUA e Ásia. Diante disso, ameaçaram permanecer no Ministério da Agricultura até que a situação fosse resolvida. Procurado para dar sua versão, o encarregado de negócios da embaixada do Chile, Claudio Rojas, não respondeu até o fechamento desta edição. 

O governo brasileiro informou, segundo fontes oficiais, que a questão seria tratada dentro das regras fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que, como o comunicado brasileiro havia sido feito por escrito, espera-se o mesmo procedimento para as respostas do Chile. Nas reuniões, também foi lembrado aos chilenos que as medidas foram tomadas somente após uma "avaliação criteriosa" do Brasil. Em visita a Santiago, fiscais brasileiros verificaram o cumprimento de compromissos assumidos pelo país em 2006, quando o Ministério da Agricultura identificou o mesmo tipo de ácaro em frutas chilenas. 

Diante da reação das autoridades brasileiras, diz uma fonte, os chilenos sinalizaram "boa vontade" para costurar um acordo. Até porque há um relatório de inspeção sobre as condições de produção do salmão chileno, com foco no quesito utilização de corantes, que será apresentado em breve por fiscais do ministério. Isso consiste uma ameaça ao principal produto exportado pelos chilenos ao Brasil. Nos bastidores, informa-se que tem minguado a "boa vontade" do Brasil com o salmão chileno em razão da postura considerada agressiva da diplomacia chilena.