Commodities Agrícolas
Brasil pressiona
Os contratos futuros do açúcar registraram a maior queda em uma semana na sexta-feira no mercado americano, devido à percepção de que a colheita brasileira, que será iniciada nas próximas semanas, irá provocar uma sobreoferta no mercado. Segundo a Organização Internacional do Açúcar, com sede em Londres, o Brasil deverá produzir mais de 500 milhões de toneladas, o que seria um volume histórico. "O açúcar do Brasil pesa na balança", disse à agência Bloomberg Michael McDougall, vice-presidente sênior da Newedge USA LLC. Em Nova York, os papéis para entrega em maio recuaram 24 pontos, para 11,57 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, a saca de 50 quilos do açúcar ficou em R$ 28,11, uma queda de 0,18%, segundo o Cepea/Esalq.
Sem direção
Os preços futuros do algodão encerraram a sexta-feira em alta moderada. Para traders ouvidos pela Dow Jones Newswires, a commodity deve manter-se à deriva até que novos relatórios de plantio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ou outros dados mais concretos sejam apresentados ao mercado. "O algodão está realmente sem direção no momento", disse Alan Feild, presidente da Iamhedged.com, empresa de corretagem de Memphis. Em Nova York, os contratos com vencimento em julho subiram 47 pontos, para 74,39 centavos de dólar por libra-peso - o papel acumulou na semana queda de 0,9%. No mercado interno, o algodão em pluma encerrou a sexta-feira em queda de 0,52%, a R$ 1,3966 por libra-peso, segundo o índice Cepea/Esalq.
Comprador apreensivo
Os preços futuros da soja subiram pelo quarto pregão consecutivo na sexta-feira, fechando a 12,77 centavos de dólar em Chicago, com alta de 20 centavos. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, o resultado foi motivado por especulações de que uma possível interrupção no fornecimento do Brasil e da Argentina possa elevar a demanda pela oleaginosa dos Estados Unidos. "Os compradores estão ficando apreensivos com a situação", disse Mark Schultz, vice-presidente da Northstar Commodity Investment. Problemas trabalhistas no porto de Paranaguá (PR) desaceleraram os embarques, enquanto na Argentina os protestos de agricultores estão suspensos apenas temporariamente. No mercado interno, a saca da soja ficou em R$ 43,50, com alta de 0,55%, segundo o Cepea/Esalq.
Influência do clima
Renovadas preocupações com o clima nos Estados Unidos puxaram nova alta do preço do trigo no mercado futuro. A escassez de chuvas prevista para regiões produtoras da commodity em Oklahoma, Kansas e Texas pode abater o desenvolvimento do trigo de inverno. No Meio-Oeste americano, de Arkansas a Ohio, foi o previsto excesso de chuvas que ajudou a impulsionar as cotações, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Chicago, a alta dos contratos com vencimento em julho foi de 39 centavos de dólar, para US$ 9,9150 por bushel - na semana, o papel acumulou baixa de 0,45%. No mercado doméstico, o preço da saca de 60 quilos encerrou a sexta-feira em alta de 0,27%, a R$ 41,32, na média, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral).