Movimentos sociais defendem participação no PAC do Cacau
A participação dos movimentos sociais no Plano de Aceleração de Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira da Bahia – PAC do Cacau, foi debatida nesta segunda-feira (7), durante encontro realizado na Câmara de Vereadores de Itabuna. O encontro, que contou com a participação do secretário de Agricultura, Reforma Agrária e Irrigação, Geraldo Simões, foi coordenado pelo Fórum de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região do Cacau, formado pelo MST, Fetag, MLT, CETA, MTL, CRASBA, Jupará, FASE, CPT e Povo Indígena Tupinambá.
“Nosso objetivo é apresentar propostas que contemplem a inclusão social, através da aceleração do processo de reforma agrária e do fortalecimento da agricultura familiar”, destacou Aldenis Meira, coordenador do Fórum. Segundo ele, “existem cinco mil famílias morando às margens de rodovias no Sul da Bahia, à espera de uma solução para as desapropriações solicitadas ao Incra”.
Já o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Sul da Bahia, Isaias Nascimento de Sena, lembra que “50% das áreas produtoras de cacau na região estão localizadas em assentamentos, o que torna fundamental a nossa participação no PAC do Cacau”.
Durante o encontro foi entregue ao secretário Geraldo Simões um documento contendo reivindicações dos movimentos sociais para o desenvolvimento sustentável da região. As solicitações incluem ações nas áreas de reforma agrária, educação, assistência técnica e extensão rural, produção, agroindustrialização e comercialização, crédito rural; e infra-estrutura em assentamentos.
“O que nos une é a necessidade de inserir todos os segmentos da região nesse processo de recuperação da região. Os movimentos sociais representam uma parcela importante da população que não podem ficar fora de um projeto da abrangência do PAC do Cacau”, ressaltou Higino José Filho, diretor da Fetag.
Agricultura familiar
A democratização do acesso ao crédito também foi defendida pelos movimentos sociais, tendo em vista que os micros e pequenos produtores respondem por 89% das propriedades rurais no Sul da Bahia. Entretanto, os médios e grandes produtores absorvem 74% dos financiamentos. “Queremos propostas que atendam os assentados e os agricultores familiares, para que possamos gerar emprego e renda”, declarou Luiz Santos, da Cooperativa dos Agroecologistas do Sul da Bahia.
O secretário Geraldo Simões declarou que as ações propostas pelos movimentos sociais estão incluídas no PAC do Cacau. “O Sul da Bahia abrange 14% da mão de obra rural na Bahia e a agricultura familiar é uma das prioridades do governador Jaques Wagner, através da obtenção de novos créditos e a universalização da assistência técnica e da difusão de novas tecnologias”.
Segundo ele, “os agricultores familiares receberão apoio para projetos de diversificação e da participação na cadeia produtiva do cacau, com a instalação de pequenas indústrias para associações e cooperativas”. Nesta quarta-feira (9), Geraldo Simões participa em Brasília de uma reunião para discutir detalhes finais do lançamento do PAC do Cacau.
Ascom/Seagri – 08.04.08
DanielThame