Clean Energy Brazil ganha autonomia
A Clean Energy Brazil (CEB) anunciou ontem em comunicado à Bolsa de Valores de Londres, onde tem 100% de seu capital aberto, a aquisição da administradora de recursos Temple Capital Partners Planejamento Empresarial (TCP Brasil). O negócio possibilitará ao fundo tornar-se uma empresa de investimentos com gestão própria, com foco exclusivamente nos segmentos de açúcar, álcool e energia do país.
Desde a sua criação, a Clean Energy Brazil mantinha acordo de administração de recursos com a TCP, gerido pela AGROP, banco Numis Securities e Czarnikow Group. O fundo pagou aos acionistas da TCP o equivalente a US$ 23 milhões, devido à cessão do contrato, com a emissão de novas ações ordinárias.
Com a reorganização, o engenheiro agrônomo Marcelo Junqueira - de família tradicional nos canaviais paulistas - passa a ser o novo CEO da Clean Energy.
"O conselho percebeu que esse era o momento de contratar os próprios executivos e passar a fazer a administração dos seus investimentos", disse Junqueira.
De acordo com ele, a nova equipe executiva será composta por pelo diretor financeiro John Sam Koutras, ex- CMS Energy e Visanet, e Gilberto Mascioli, que será o diretor de operações.
Segundo Junqueira, junto a essa reorganização interna, a Clean Energy Brazil deverá "diminuir o ritmo de procura de oportunidades" nos próximos meses. Na opinião do novo CEO, o momento agora é de "digerir" o que já se conquistou, de "organizar o que temos na mão para que os investidores sintam o nosso trabalho". Ele acredita que até meados deste ano não haverá mais aquisições. Ressalva: só se as oportunidades baterem à sua porta.
Desde sua oferta inicial de ações na bolsa de Londres, em dezembro de 2006, a CEB já investiu US$ 214 milhões no setor sucroalcooleiro do Brasil.
O primeiro negócio foi a aquisição de 49% da participação acionária no grupo paranaense Usaciga. Depois, a empresa comprou 100% das ações da Usina Pantanal (MS), 33% da holding Unialco MS, controladora da usina Alcoolvale, em Aparecida do Taboado (MS) e um projeto "greenfield", em Dourados, também no Mato Grosso do Sul.