Nova esperança para cacauicultor
Os produtores de cacau ainda têm uma última esperança de conseguir renegociação em condições especiais das pesadas dívidas com a União. Depois de várias reuniões em Brasília semana passada, eles esperam para segundafeira uma resposta definitiva do Ministério da Fazenda para permitir um acordo em separado do restante do endividamento rural do País, que poderá ser a salvação da lavoura cacaueira.
“Foi o maior avanço já conquistado até agora. O governo parece ter reconhecido que o caso do cacau precisa ser tratado de forma diferenciada da norma geral, baseada em faixas de endividamento.
Nossa crise atingiu a todos de forma igual, dos passivos de R$ 10 mil até os de meio milhão”, disse o presidente da Associação dos Produtores do Cacau (APC), Henrique Almeida.
A expectativa é de que a União aceite um desconto (rebate) linear próximo de 90% na renegociação global com outro percentual expressivo para quitação.
Outra novidade é a possibilidade da transferência total das dívidas, concentradas no Banco do Brasil (BB), para o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), gerido pelo Banco do Nordeste (BNB) e que pratica taxas, prazos e condições melhores. Além de representantes dos produtores de Ilhéus, o fechamento do acordo está sendo acompanhado em Brasília por técnicos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pelo gabinete do deputado Raymundo Veloso (PMDB-BA), um dos principais negociadores da cacauicultura baiana. Essa abertura foi possível graças a contatos diretos com Bernard Appy, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Appy assumiu o compromisso semana passada conosco de discutir pontualmente o cacau. No seu último encontro, na quartafeira, com o presidente da APC, pediu o levantamento dos próprios produtores sobre todas as planilhas das dívidas. E pediu a orientação do diretor da área de crédito do Ministério da Agricultura, Gerardo Fonteles, que apresentou um quadro minucioso da crise financeira do setor. Em paralelo, o secretário de Agricultura da Bahia, Geraldo Simões, se reunia no Palácio do Planalto com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Com a crítica geral do critério por classe de endividamento na questão do cacau, apoiada por Fonteles (Agricultura), Appy (Fazenda) prometeu analisar as propostas.
A hipótese de perdão total das duas fases primeiras fases do plano de recuperação da lavoura cacaueira não pode ser sequer mencionada. “Esse ainda é um palavrão para o governo”, admite Almeida, da APC. Para aprovar o programa que junta todos os contratos de dívidas em um só ainda precisa da anuência do governo da Bahia, o que está sendo negociado.