Oeste se destaca em frango de corte e grãos

14/04/2008

Oeste se destaca em frango de corte e grãos

 

Da produção de grãos do cerrado baiano, que nesta safra deve colher 2,5 bilhões de toneladas de soja e 1,1 bilhão de toneladas de milho, 60% se destinam à fabricação de ração para alimentar as aves do Nordeste.

Na região oeste do Estado, o rebanho avícola soma cerca de 1,5 bilhão de cabeças, com três grandes empreendimentos voltados para a produção de ovos e frangos de corte.

Uma das preocupações do setor avícola de todo o Nordeste é quanto aos preços dos produtos básicos para a produção de ração.

Embora a soja esteja com os preços em declínio, fechando o mês de março em R$ 41,87 a saca de 60 kg, o milho, que fechou março em R$ 24,04, assinala para um provável aumento.

Essa expectativa está embasada na redução de 8,1% na área plantada com milho nos Estados Unidos, segundo a última estimativa do Departamento de Agricultura daquele país, além da utilização crescente do produto para a produção de etanol.

IMPACTO – Segundo o consultor de agronegócios da Maia Consult, Ivanir Maia, apesar do milho produzido na região estar 100% destinado ao Nordeste (portanto não sofre o impacto direto do consumo externo), o preço regional tende a melhorar com a pressão para aumentar as exportações brasileiras do cereal.

A notícia desagrada aos produtores de aves para produção de carne ou ovos, pois os principais componentes da ração para a avicultura se constituem de milho e farelo de soja (o bagaço da oleaginosa que resulta da extração de óleo).

No cerrado, tanto o milho quanto a soja já estão em ritmo de colheita. Segundo o diretor da corretora de cereais Comac, Ademar Costa, 40% do milho colhido na região se destina ao consumo humano. “O restante é absorvido por produtores de ração para alimentação animal”. Já 40% da soja vai para o mercado externo e 60% são destinados à fabricação de óleo, nas duas esmagadoras existentes, de onde “sobra” farelo de soja para alimentação animal.

ABATE – De olho na possibilidade de fabricar ração e trabalhar de forma integrada com cerca de 500 pequenos e médios produtores rurais da região, que passariam a engordar os pintos e deixálos prontos para o abate, o diretor do abatedouro Frango de Ouro, instalado em Barreiras, Nivaldo Evangelista Neves, também se mantém informado sobre os preços dos grãos.

Porém, para ele, a proximidade com a região produtora de grãos está em segundo lugar na escala das vantagens para a produção avícola regional. “Emprimeiro lugar está o clima, pois o frango destinado ao corte se desenvolve melhor em lugares mais secos, o que o torna menos vulnerável a doenças”, diz.

A média de abate é de 20 mil frangos/dia, para o mercado regional, com inspeção estadual. A estimativa é chegar ao patamar de 60 mil aves/dia em dois anos.

Por enquanto, Neves compra os animais em ponto de abate provenientes de Brasília e da Mauricéia – um grupo pernambucano que já produz frangos e ovos naquele Estado e está se instalando em Luís Eduardo Magalhães, com projeto inicial de abater 160 mil aves/dia.

A projeção futura é abater 300 mil aves/dia e vender para o mercado externo.

OVOS – Com um rebanho de 1,05 bilhão de aves, a Mauricéia produz por dia cerca de três toneladas/ dia de ração e revende cerca de 400 mil aves/mês (enquanto sua unidade industrial de abate não entra em funcionamento). A produção média é de três mil ovos/dia, voltada ao consumo humano e à reprodução.

Em escala industrial, há duas empresas produzindo ovos no oeste baiano. A Ovoeste, em Luís Eduardo Magalhães, com rebanho de 100 mil aves e produção de 80 mil ovos/dia, e a Emape, em Barreiras, com rebanho de 320 mil aves e produção média de 280 mil ovos/dia. Os dados da Mauricéia, Ovoeste e Emape foram fornecidos pela Adab.

Para o coordenador do Programa de Sanidade Aviária do Oeste da Bahia, da Adab, o médico veterinário Estácio Pimentel Ximenes Filho, além dos fatores já citados, como proximidade com os produtores de grãos e a temperatura estável, “outra facilidade, esta no controle sanitário, é a baixa densidade de aves na região, o que dificulta que doenças se alastrem entre os aviários”.

Ximenes cita a importância da alta luminosidade na região – “o que aumenta o número de ovos férteis”. Os profissionais da Adab que trabalham nas barreiras sanitárias instaladas nas estradas que dão acesso à Bahia no oeste “permitem apenas a entrada de aves com Guia de Trânsito de Animais, atestando que estão livres de doenças”. A fiscalização verifica a procedência e o destino das aves. A região, portanto, “soma uma série de fatores positivos à instalação de projetos completos de avicultura”, afirma Nivaldo, que há 15 anos trocou a Chapada Diamantina pelo oeste.