Abate clandestino é maior ameaça
O abate clandestino de frangos tem sido o principal entrave no desenvolvimento da avicultura de corte como fonte de economia em Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador.
De acordo com fontes ligadas ao setor, das 230 toneladas de carne de frango distribuídas semanalmente no município, pelo menos 30 delas vêm do mercado clandestino, o que representa mais de 30% dos irregulares.
Os riscos a que está exposto o consumidor vão desde intoxicação alimentar até a morte. Na década passada, o abate clandestino de frango respondia por 100% no terceiro maior município da Bahia, com 308 mil habitantes.
INSPEÇÃO – Atualmente, existe apenas a Avinor, um abatedouro regional com inspeção sanitária estadual, realizada pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) num raio de mais de 200 quilômetros quadrados.
O restante, cerca de 30 granjas e pequenos abatedouros, responde pelo volume de 70% de carne e subprodutos clandestinos.
Somado aos de “fundode-quintal”, este número chega a quase 700 unidades – considerando-se uma proporção de duas para cada uma das 284 localidades do interior de Vitória da Conquista.
De acordo com a Lei Estadual nº 7.705/92, regulamentada pelo Decreto nº 39.972/95, animais devem ser abatidos em matadourofrigorífico, matadouro ou abatedouro.
Não é o que acontece em Conquista e região, onde as aves são abatidas em locais inadequados, sem higiene e transportadas em seguida sem os critérios de proteção à saúde do consumidor.
CLANDESTINOS – Como se não bastasse o descumprimento da legislação, os clandestinos cometem outros crimes: sonegação fiscal e utilização de rotas clandestinas para trânsito de aves vivas de outros Estados para a Bahia. A entrada é proibida pelo Ministério da Agricultura por questões sanitárias.
De acordo com a Coordenadoria Regional da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), existe uma barreira sanitária fixa na divisa entre Bahia e Minas Gerais (BR-116), que funciona 24 horas com fiscais da coordenadoria controlando o trânsito de animais.
Para tentar fazer frente à clandestinidade, alguns projetos de avicultura familiar foram criados em Vitória da Conquista. Um desses projetos, lançado no distrito de José Gonçalves, a 25 km da cidade, passou a atender a 20 jovens matriculados no curso de avicultura.
Consiste na distribuição gratuita de kits para criação de aves na localidade, e cada conjunto, avaliado em R$ 400, é composto por 50 aves de postura, 80 kg de ração, um comedouro e um bebedouro.
Perfeito na teoria, mas de difícil aplicação na prática, com avalia a estudante Suzana da Silva Santos, 18 anos, uma das atendidas pelo projeto.
O que seria a sua primeira atividade profissional e potencial participação no mercado distribuidor transformou-se em frustração.
Suzana chegou a apostar que o aprendizado poderia reverter em incremento na renda familiar, bem como na venda das aves em outras localidades.
PROBLEMAS – Apesar de todas as orientações para a utilização do kit terem sido passadas durante o curso por técnicos da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), o projeto não avançou com a estudante e seu irmão, que, juntos, receberam 100 aves.
“Morreram quase todas. Só ficaram oito”, disse, frustrada, Suzana da Silva Santos. O instrutor do curso e professor da Uesb, Adauto Gigante, já havia alertado para as dificuldades da atividade, especialmente na alimentação e comercialização das aves.
FISCALIZE | O consumidor deve sempre ficar atento aos produtos oferecidos no mercado. Exija sempre carne com o carimbo da fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (http://www.anvisa.gov.br). Caso tenha alguma dúvida quanto à origem, denuncie o abate clandestino. O telefone da Vigilância Sanitária, na capital, é 71 3186 1100. Procure no seu município a central do órgão.