Agroecossistema - Incrementando a biodiversidade
A biodiversidade se refere a todas as espécies de plantas, animais e microorganismos que existem e interagem reciprocamente dentro de um ecossistema. Em todos os agroecossistemas, os polinizadores, os inimigos naturais, as minhocas, os microorganismos do solo são componentes-chave da biodiversidade e têm papel importante ao mediarem processos como controle natural, reciclagem de nutrientes e decomposição.
Os monocultivos estão estabelecidos em grandes áreas e caracterizam-se pela homogeneização genética das variedades, aumento de densidade de plantas, eliminação da rotação de culturas, uso de fertilizantes, irrigação e outras modificações ambientais, como a diminuição do aporte de adubo orgânico. Todos esses fatores têm incrementado a presença de doenças e pragas.
Vários estudos têm demonstrado que o aumento da biodiversidade de agroecossistemas causa a diminuição de problemas de doenças e pragas pelo incremento da ação de predadores, parasitóides e antagonistas. Neste último caso, o controle biológico de patógenos é o fator determinante na redução das doenças.
ENERGIA – O manejo adequado de plantas espontâneas também tem contribuído para o aumento da biodiversidade. Nem sempre uma planta espontânea é prejudicial e o manejo adequado pode levar ao maior aproveitamento da energia solar, à manutenção da cobertura do solo e de agentes de controle biológico e polinizadores, além de outras diferentes funções de importância para o equilíbrio do agroecossistema.
Portanto, no manejo de plantas espontâneas, há que se observar a função ecológica de cada espécie, quais são as plantas que são realmente problemáticas e quais as que não se pode conviver. De posse dessa informação, pode-se elaborar o manejo baseado em diferentes estratégias de convivência.
O redesenho de agroecossistema para uma maior biodiversidade passa, obrigatoriamente, pela substituição paulatina de monocultivos por policultivos.
Para cada caso há que se observar os aspectos inerentes a cada região.
Entretanto, de um modo geral, a adoção de algumas práticas em conjunto contribuem grandemente para a melhoria da biodiversidade em diferentes situações.
Práticas para melhoria da biodiversidade: 1. Manter as plantas espontâneas da bordadura da plantação e cinturões verdes de matas nativas 2. Utilizar adubação verde, orgânica ou compostagem para incrementar a população de microorganismos no solo 3. Manter o cultivo com cobertura verde, realizando somente a roça quando as plantas atingirem uma altura excessiva 4. Incrementar a diversidade genética do cultivo (policultivos), realizando o plantio consorciado com outras espécies ou combinações de três ou quatro variedades de uma mesma espécie 5. Fazer rotações de culturas; 6. Utilizar quebra-ventos e ou árvores dentro do cultivo 7. Eliminar ou reduzir o uso de defensivos agrícolas